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Óbidos Vila Literária reforçada com 20 mil livros doados pela Gulbenkian

Mudança de instalações da delegação francesa da Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris, esteve na origem da doação de vinte mil livros

A vila de Óbidos tem, a partir desta segunda-feira, mais vinte mil livros, doados pela Fundação Calouste Gulbenkian, que vão ficar disponíveis ao público num hotel e numa casa de pasto, onde já se encontravam 60 mil títulos.

A mudança de instalações da delegação francesa da Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris, esteve na origem da doação de vinte mil livros que "os seus responsáveis entenderam como um contributo para o projeto Óbidos Vila Literária", disse hoje à Lusa Telmo Faria, destes estabelecimentos.

As obras, que se encontravam na biblioteca da Fundação, em Paris, foram oferecidas com o intuito de "reforçar o ambiente que já existia no hotel Literary Man", o primeiro hotel literário aberto na vila, pela mão de Telmo Faria, que logo de início adquiriu 40 mil livros, que revestem as paredes daquele espaço.

Porém, o conhecimento de que o projeto iria ser alargado, no passado mês de agosto, para uma casa de pasto, The History Man, onde seriam disponibilizados livros sobre história, levou aquela responsável a antecipar a entrega de "milhares de livros sobre esta temática, que desde agosto foram disponibilizados ao público".

Os restantes livros foram hoje entregues, dando entrada a mais 20 mil novas obras na vila, o que, para o empresário e vice-presidente da Sociedade Óbidos Vila Literária, representa "o reconhecimento do trabalho" em curso "e que de alguma maneira avaliza o que tem sido um esforço privado, no sentido de construir uma atmosfera que contribui para esse conceito de construir uma vila com livros".

Um conceito a que "ninguém fica indiferente" e que, no Literary Man, se refletiu num aumento do espólio inicial para os atuais 60 mil livros expostos, em resultado "de doações de instituições e de particulares, a maior parte deles anónimos", disse Telmo Faria, ressalvando que há também, "escritores de vários países que ali se hospedam e que, quando regressam aos seus países, nos enviam exemplares das suas obras".

A diferenciação do conceito contribui ainda, nos últimos anos, para "um aumento da taxa de ocupação do hotel" que "triplicou as suas vendas, em termos de restauração e bebidas, fruto da criação desta atmosfera", em que os livros "não estão arrumados pela ordem autoritária da biblioteca e em que cada um mexe, leva para os quartos, traz de manhã e deixa na mesa mais próxima".

Fruto desta aposta, o grupo que, além destes dois estabelecimentos tem ainda outro no concelho, fora da vila (com cinco mil livros dedicados à natureza), criou "mais 40 postos de trabalho", tendo aumentado os seus quadros "de dez para 50 trabalhadores", e conseguiu "capacidade para fazer novos investimentos". Entre eles, "num armazém" onde Telmo Faria guarda "um espólio de 50 mil livros ainda por colocar", e que serão espalhados por espaços que vão sendo criados para o efeito, nas três unidades do grupo.

A Óbidos Vila Literária é um projeto desenvolvido pela Câmara de Óbidos e pela Editora Ler Devagar, desde 2011, e que resultou na abertura de mais de uma dezena de livrarias na vila, em locais improváveis como capelas, adegas ou mesmo num mercado biológico. A 11 de dezembro de 2015, a organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) considerou Óbidos como Cidade Literária, passando desde então a fazer parte do programa Rede de Cidades Criativas.