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Incêndio em Sintra: ambientalistas acusam Ministério do Ambiente e Câmaras de Sintra e Cascais

Mário Cruz/ Lusa

Associação Salvar Sintra promete “responsabilizar os autores materiais e morais desta tragédia” e aponta o dedo às Câmaras de Sintra e de Cascais e ao Ministério do Ambiente. Carlos Carreiras diz que acusação é "caluniosa"

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

“O abandono da serra e sua entrega a interesses comerciais foram os rastilhos do fogo”, acusa a Associação Salvar Sintra em comunicado enviado às redações. A organização não governamental de defesa do ambiente promete vir a “responsabilizar os autores materiais e morais desta tragédia ambiental”.

No comunicado assinado pelo presidente da associação, Agostinho Pereira de Miranda, é apontado o dedo à “negligência e a sistemática demissão das responsabilidades da comissão diretiva do Parque Natural de Sintra-Cascais”, e às duas autarquias locais por terem licenciado “atividades turísticas, imobiliárias e comerciais incompatíveis com o estatuto de parque natural”, assim como pelo “não cumprimento das obrigações de limpeza e de patrulhamento da serra”.

O incêndio que teve início na Peninha por volta das 22h30 deste sábado e só foi extinto na manhã de domingo, devastou perto de 500 hectares desta área protegida quase até à praia do Guincho.

No comunicado, a associação — fundada em 1993, na sequência do fogo que destruiu quase mil hectares da então Área de Paisagem Protegida Sintra-Cascais — aponta um conjunto de acontecimentos recentes que poderão ter contribuído para a eclosão das chamas, entre os quais a concentração de milhares de pessoas na serra devido à realização do Rally de Portugal Histórico, 24 horas antes, e o lançamento de foguetes nas festas de Almoçageme.

A polícia Judiciária está a investigar as origens deste incêndio.

"As acusações vertidas neste comunicado não só demonstram um profundo desconhecimento do concelho de Cascais, como são caluniosas e fantasiosas", reage o presidente da Câmara de Cascais. Carlos Carreiras "lamenta que, à boleia de um acontecimento brutal, cuja origem permanece desconhecida, mas perante o qual os bombeiros deram uma resposta extraordinária, apareçam umas figuras à procura de mediatismos momentâneos".

O Expresso não conseguiu em tempo útil obter reações do autarca de Sintra, nem do Ministério do Ambiente que tutela o Parque Natural.