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Fogo devasta património natural das dunas do Guincho

D.R.

O inventário dos danos vai começar a ser feito, mas o frágil sistema dunar da Cresmina é já uma vítima evidente deste incêndio

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

O incêndio que esta noite devastou cerca de 500 hectares do Parque Natural de Sintra-Cascais afetou de forma significativa os habitats do sistema dunar do Guincho-Cresmina, segundo fonte do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas. Mas o balanço dos danos ao património natural ainda não está feito.

Esta estrutura geológica frágil, localizada entre o Cabo Raso e a praia do Guincho serve de habitat para espécies autóctones como a raiz-divina (Armeria welwitschii) ou a sabina-das-praias (Juniperus turbinata), que ajudam a suster as dunas da ação do vento. O coberto vegetal serve também de abrigo para uma fauna diversificada de pequenos répteis, insetos e aves.

“As dunas do Guincho-Cresmina são um sistema ativo e extremamente instável devido à constante mobilização de partículas arenosas pelos fortes ventos que se apresentam com orientação noroeste-sudeste”, que fazem com que avance cerca de 10 metros por ano de Norte para sul, indica informação do Núcleo de Interpretação da Duna da Cresmina.

O Parque Natural, criado em 1993, estende-se por 14583 hectares entre a foz do rio Falcão, no concelho de Sintra, e a Cidadela de Cascais. Integra áreas classificadas na rede europeia de espaços naturais e espécies da fauna e da flora protegidos (Rede Natura 2000) e alberga várias espécies endémicas da flora e fauna nacionais.