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A festa Verde regressa esta semana ao Estoril com novos passos “disruptivos”

A destruição da Amazónia é uma ameaça ao desenvolvimento sustentável

CARL DE SOUZA

Entre workshops de construção ou alimentação sustentável, exposições, concertos e palestras disruptivas, o Greenfest regressa com “pequenos passos que podem ser grandes saltos para a humanidade”

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Ligar os avanços tecnológicos ao desenvolvimento sustentável com base na economia circular é o mote para a 11ª edição do Greenfest, que tem lugar de 11 a 14 de outubro no Centro de Congressos do Estoril. O tema deste ano é “Sustentabilidade 4.0”. Classificado como o "maior evento de sustentabilidade no país", o Greenfest pretende celebrar “o que de melhor se faz nas vertentes ambiental, social, económica e cultural”, em Portugal e noutros cantos do mundo, apostando na educação ambiental, no turismo, na alimentação e na construção sustentáveis.

“A tecnologia e a ecologia devem andar de mãos dadas”, sublinha ao Expresso o mentor do GreenFest, Pedro Norton de Matos, para quem as inovações disruptivas “permitem os grandes saltos da humanidade”. O economista e empresário que concebeu este festival há uma dúzia de anos — inspirado num evento semelhante em que participou em São Francisco, nos EUA — lembra que “na última década surgiu um compromisso intergeracional e uma consciência de que o que recebemos é uma coisa e o legado que deixamos ao planeta é outra”. É este o pensamento deste avô que pensa no mundo que vai deixar às suas duas netas, nascidas este ano.

“Acreditamos que a chave está na mudança comportamental, impulsionada por exigentes consumidores e cidadãos ativos nas suas comunidades, assim como no poder multiplicador das empresas em toda a sua cadeia de valor”, sublinha o promotor do GreenFest. Pedro Norton de Matos acredita que a mudança de mentalidades tem crescido nos últimos 10 anos, tantos como os que o festival já conta. E considera que isso é evidente nos exemplos de boas práticas e chamadas de atenção através da arte ou da indústria que vão surgindo. Alguns exemplos dessa mudança podem ser vistos no Centro de Congressos do Estoril a partir de quinta-feira.

O programa deste ano integra palestras, exposições e workshops sobre a melhor maneira de tornar as comunidades, cidades e casas mais eficientes e sustentáveis; ou como seguir um estilo de vida saudável, sempre pensando nos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável definidos pela Organização das Nações Unidas. O evento conta ainda com uma mostra de produtos biológicos e de comércio justo, assim como a divulgação de projetos inovadores com vista ao desenvolvimento de sociedades mais prósperas e sustentáveis.

Entre os oradores internacionais que vão estar presentes, destacam-se Calixto Soarez, um activista índio colombiano que vai falar sobre as potencialidades da natureza como um laboratório vivo com mais de quatro mil milhões de anos; ou a ativista australiana Leyla Acaroglu, distinguida com o prémio “Champion of the Earth” pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUD), que irá discursar sobre os avanços do estilo de vida saudável dos cidadãos.

O mentor do Greenfest salienta ainda alguns bons exemplos de como a sociedade está atenta aos problemas ambientais e que o espelha na arte ou na produção de bens de consumo. A invasão dos oceanos por plásticos é um dos temas na ordem do dia e projetos artísticos como o da artista plástica Ana Pego — que no festival vai expor a sua instalação de um esqueleto de baleia gigante feito com plásticos recolhidos nas praias — ou projetos comerciais como o das sandálias ecológicas Zouri — uma marca portuguesa, cuja sola é feita de plástico compactado recolhido no oceano — são espelhos das novas preocupações.

“Normalmente os bons exemplos não vêm de grandes marcas, nascem em pequenas garagens, como aconteceu com a Apple, o PC ou a Uber”, sublinha Pedro Norton de Matos, lembrando que “muitos destes projetos disruptivos começam por ser ridicularizados e depois revelam-se grandes saltos para a humanidade”.