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Tancos. Responsável da investigação na PJM iliba Exército

Ex-porta-voz da Judiciária Militar nega ter havido pressões por parte das Forças Armadas no caso da recuperação das armas furtadas em Tancos

Joana Pereira Bastos

Joana Pereira Bastos

Editora de Sociedade

O ex-porta-voz da Polícia Judiciária Militar (PJM) e investigador principal do assalto aos paióis de Tancos, Vasco Brazão, assegurou esta segunda-feira, em mais uma publicação na sua conta pessoal do Facebook, que a operação de encobrimento em torno da recuperação das armas furtadas foi montada sem o conhecimento do Exército.

"A Chefia do Exército, tal como muitos portugueses, ficou satisfeita com o facto de a PJM ter recuperado o material de guerra, no entanto afirmar que o Exército pressionou a PJM a fazê-lo ou que sabia da nossa atuação é distorcer a realidade dos factos", escreve o major, que se encontra atualmente em missão na República Centro Africana, de onde regressará esta semana para ser ouvido pelo Ministério Público na quarta-feira.

O major, que coordenava a investigação ao assalto a Tancos na PJM, salienta ainda que a Judiciária Militar "é completamente independente dos Ramos das Forças Armadas", não tendo atuado neste caso sob orientação daquelas.

"Se em tempos idos (a PJM) poderá ter sido alvo de pressões (por parte dos Ramos das Forças Armadas), hoje não é assim. As alterações legislativas provocaram uma total independência da atuação da PJM em relação às Forças Armadas. Sugerir que a PJM atua sob orientação dos Ramos ou através de pressões destes, como vem descrito em diversos órgãos de comunicação social, é não conhecer a realidade", adianta.

Numa outra publicação, colocada esta madrugada no Facebook e dedicada ao diretor da PJM, que se encontra em prisão preventiva, Vasco Brazão diz ter sido "uma honra e um privilégio servir sob o comando" do coronel Luís Vieira, que considera ser "de uma honestidade inquestionável e de uma coragem moral fora do comum".

"Os Comandantes decidem com base em pressupostos, conhecimentos adquiridos, sob determinadas condições e com objetivos definidos - sempre com o intuito de não errar. Sabemos que o Senhor (diretor da PJM) pautou a sua ação de Comando sempre assim. A verdade será apurada e a justiça será feita", afirma Vasco Brazão, desejando "coragem e força" ao coronel Luís Vieira.

Já no domingo, o ex-porta-voz da PJM tinha deixado um comunicado no Facebook, confessando estar "arrependido mas de consciência tranquila" em relação à operação de encobrimento que foi montada por aquela polícia e pela GNR de Loulé em torno da recuperação das armas furtadas.

“Não sou criminoso nem tão pouco os meus Camaradas de Armas o são. Somos militares. Cumprimos ordens. Estamos prontos para morrer na defesa e na salvaguarda dos interesses Nacionais. Somos formados assim. A salvaguarda dos interesses Nacionais é sempre superior aos interesses individuais. Tenho um misto de sentimentos. Estou arrependido mas de consciência tranquila", escreveu o major, que será o nono arguido do inquérito, juntando-se aos outros sete militares da PJM e da GNR e ao civil que a PJ considera ser o presumível autor do furto.

O diretor da PJM, coronel Luís Vieira, ficou em prisão preventiva, assim como o suspeito do assalto. Os restantes militares que já foram ouvidos saíram em liberdade, com termo de identidade e residência, suspensão de funções e a proibição de manterem contactos entre si.