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Tweet “falso e enganador” obriga Elon Musk a deixar a presidência da Tesla

Mustafa Yalcin/Anadolu Agency/Getty Images

Regulador do mercado bolsista considerou mensagem publicada por Musk nas redes sociais fraudulenta. Empresário sul-africano mantém-se como CEO

“Estou a considerar tornar a Tesla privada por 420 dólares. Financiamento assegurado”. Foi este tweet, publicado a 7 de agosto por Elon Musk, que bastou para pôr a bolsa em polvorosa e disparar as ações da empresa. No entanto, o regulador do mercado bolsista norte-americano (Securities and Exchange Comission, ou SEC) considerou a mensagem fraudulenta, o que acabou neste sábado por resultar no anúncio da saída de Elon Musk como presidente do conselho de administração da Tesla, embora se mantenha como CEO.

Quando publicou a mensagem, a intenção de Musk seria retirar a empresa da bolsa, tornando-a privada, avaliando o valor de cada ação a 420 dólares - um aumento que valorizaria a empresa em 72 mil milhões de dólares, escreveu então a Reuters. Musk assegurava no mesmo tweet ter chegado a algum tipo de acordo que garantiria o financiamento necessário para levar a cabo a operação. Mas a SEC, depois de analisar a mensagem de Musk e o efeito que teve no mercado - logo nesse dia, o valor das ações da empresa disparou 7% para 367 dólares -, considerou as afirmações de Musk “falsas e enganadoras” e responsáveis por causar uma enorme “confusão e disrupção no mercado”.

A declaração de Musk acabou mesmo por agitar internamente a empresa, uma vez que, como o empresário admitiu numa entrevista ao “The New York Times”, não mostrou o tweet a ninguém antes de o publicar, confiante nos resultados de uma reunião que tivera com representantes de um fundo de investimento saudita - cuja participação no negócio não ficara, na realidade, garantida. Dias depois, Musk viria a emitir um comunicado em que admitia um recuo, depois de ter ouvido investidores e especialistas do mercado. “O sentimento geral, de forma resumida, foi 'por favor, não faças isso”, escreveu.

Dados os efeitos negativos que as declarações públicas de Musk terão tido sobre os investidores e o mercado, o até agora presidente do conselho de administração da Tesla viu-se obrigado a chegar a acordo com a SEC para abandonar o cargo e pagar uma multa de 20 milhões de dólares (17 milhões de euros), a que se somam outros 20 pagos pela empresa. O valor total será distribuído pelos investidores, como forma de os indemnizar.

No seguimento de várias polémicas a envolver o CEO - Musk está, neste momento, a ser processado por um dos mergulhadores que salvaram crianças de uma gruta na Tailândia, a quem chamou pedófilo - ficou decidida ainda a criação de um comité independente na Tesla para “corrigir a má conduta” e “evitar mais perturbações no mercado”, explicou a SEC.