Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Taxistas estimam perda de €10.400 por hora com a greve

Carlos Ramos, líder da Federação Portuguesa do Táxi, durante o protesto dos taxistas em Lisboa

Foto Miguel Lopes/Lusa

Presidente da Federação Portuguesa do Táxi considera que a paralisação de oito dias “valeu a pena”, apesar do prejuízo financeiro (total de €2 milhões) e de não terem conseguido impedir a “lei Uber” de entrar em vigor a 1 de Novembro. Carlos Ramos critica ainda os taxistas que têm carros na Uber: “É imoral”

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Apesar de não terem conseguido impedir a “lei Uber” de entrar em vigor, nem de limitar o número de veículos descaracterizados a funcionar, o dirigente dos taxistas volta a defender a importância do protesto. Para já, diz que têm “o compromisso por parte do PS de que a contingentação vai passar para os municípios”. Não sabem é quando. Carlos Ramos considera ainda “imoral” que haja taxistas com carros na Uber, mas defende a venda das licenças dos táxis pelo dobro do preço: “É o mercado a funcionar”.

Já fizeram as contas aos prejuízos de oito dias de paralisação dos táxis?
Ainda não, mas os prejuízos foram elevados, para os taxistas e para o Estado, que não recebeu o IVA. Mas, em contas por alto, se pensarmos que no país todo estiveram parados cerca de 3000 carros e se fizermos as contas a €84 euros de receita por carro por dia, só aí estimamos €252 mil euros por dia, o que dá um prejuízo de cerca de €2 milhões em oito dias de paragem.

A greve valeu a pena?
Então não valeu? Tivemos o compromisso por parte do PS de que a contingentação vai passar para os municípios.

Isso não é para já, é dentro de um pacote que ainda vai ser negociado e não põe em causa a entrada em vigor da ‘lei Uber’ a 1 de novembro, certo?
Preparámo-nos para começar a discutir com o PS este pacote no âmbito da descentralização de competências. E a lei até pode entrar em vigor a 1 de novembro, mas há uma portaria que ainda não está cá fora e que tem um conjunto de regras e procedimentos para poderem funcionar.

Foto Luis Forra/Lusa

Também andam a negociar o pacote de modernização do táxi com o Governo…
Há dois anos que andamos a falar de modernização do sector e em 2016 entregámos um conjunto de propostas, mas a única coisa que saiu destas reuniões todas foi a definição da cor dos táxis, que se vai fixar no preto e verde; o limite máximo da idade de cada carro [10 anos] e a possibilidade de os empresários suspenderem a atividade sem perderem direitos. O resto das nossas recomendações, como o sistema de pagamento automático, o procedimento das licenças e os contingentes passarem a ser intermunicipais, não foi acordado, nem a alteração das tarifas só distintas entre meio urbano e andar em estrada, nem a criação de uma app para os táxis a nível nacional.

Mas há um pacote elaborado pelo grupo de trabalho criado pelo Governo e coordenado pelo IMT que inclui o sector e está a ser negociado.
Não é verdade que exista um pacote. O próprio PSD disse que não há e que vamos apresentar dentro de quatro meses.

No último dia de protesto, esta quarta-feira, os taxistas concentraram-se junto à Assembleia da República

No último dia de protesto, esta quarta-feira, os taxistas concentraram-se junto à Assembleia da República

Foto Manuel Almeida/Lusa

Querem limitar o número dos transportes em veículo descaracterizado, como os Uber, e também ouvi taxistas a dizerem que há táxis a mais. Que sentido faz este tipo de propostas, quando há uma procura crescente deste tipo de serviços, sobretudo com o aumento do turismo?
Queremos é ter táxis numa área mais alargada. Os contingentes, em vez de concelhios, deviam ser intermunicipais porque há carros a mais nuns sítios e a menos noutros. Por exemplo, só há uns 110 em Almada e uns 35-40 no Seixal e deviam poder trabalhar nos dois concelhos sem estar a infringir a lei, como acontece. E em Lisboa são cerca de 3000 licenças e a câmara nunca mais abriu concurso desde 1994 ou 1995.

Há um negócio paralelo de venda de licenças entre empresários dos táxis e os preços chegam a duplicar, certo?
Eu posso vender a licença do meu táxi por um valor superior ao que me foi vendido pela Câmara. Se comprei a €500, eu posso vender por €1000 daqui a 10 anos e ficar com as mais-valias, porque entretanto investi na compra do carro, que me custou uns €20 mil, no taxímetro (mais €1500), no alvará do IMT (+ €1000). É o livre mercado a funcionar. Eu condeno a especulação.

Comprar por €500 e vender por €1000 não é especulação? Quem compra também tem de investir no carro. Não devia haver maior controlo destas transações?
Concordo que as câmaras deviam fiscalizar as especulações, mas o que se passa na maioria dos casos é o livre mercado a funcionar.

Já fez esse tipo de transações?
Não tenho táxis. Sou só administrador de uma empresa que tem 160 táxis e que dá trabalho a 326 motoristas e 68 operacionais, escriturários e mecânicos.

E tem carros a trabalhar nas plataformas eletrónicas, seja Uber, Cabify, Taxify ou outra? Ou familiares que os tenham?
Não faz sentido essa pergunta. Como é que podia andar a defender o sector e a criticar a lei e depois a ter carros na Uber?

Mas há taxistas que têm carros nas plataformas e motoristas de táxi a trabalhar nelas.
Se há quem os tenha, considero isso imoral.