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Marcelo condecora Nova School of Business and Economics, a escola “mais exigente e rigorosa” que conheceu

Marcelo chegou mais tarde. Cavaco saiu mais cedo. Cumprimentaram-se, mas evitaram a polémica

Nuno Fox

O novo campus da Faculdade de Economia da Universidade Nova, em Carcavelos, foi inaugurado ao final da tarde, na presença do Presidente da República e de Cavaco Silva. Marcelo chegou mais tarde, Cavaco saiu mais cedo. Cumprimentaram-se, mas nenhum quis voltar à polémica em torno da nomeação da nova PGR

Entre os mais de seis mil convidados presentes na inauguração oficial do campus da Nova School of Business and Economics (Nova SBE), no concelho de Cascais, estavam ex-ministros, ministros, deputados, empresários, atuais e ex-alunos, reitores, presidentes de faculdades e docentes. Mas as atenções também estavam voltadas para dois dos mais famosos antigos professores da escola – Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa. Por razões óbvias, mas também por causa da mais recente polémica em torno da não recondução de Joana Marques Vidal no cargo de Procuradora-geral da República.

Cavaco Silva chegou antes, mas acabou por abandonar a inauguração poucos minutos depois de Marcelo Rebelo de Sousa entrar. Um compromisso familiar obrigava-o a ausentar-se, chegou a explicar aos jornalistas. Cumprimentaram-se, mas o ex-Presidente da República não ouviu a intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa, que fez questão de distinguir o seu antecessor no discurso que fez. Para assinalar que, tal como outros “mestres”, Cavaco Silva, “o primeiro Presidente da República de Portugal economista e o mais duradouro primeiro-ministro”, foi um dos que viveu e deu aulas na “grande escola que é a Nova SBE”.

Sobre as críticas que Cavaco fez a propósito da não recondução da PGR – o ex-chefe de Estado chegou a comentar que essa foi a decisão “mais estranha” do Governo da “gerigonça”, sendo certo que a palavra final é do Presidente da República - Marcelo não quis fazer comentários à saída, assegurando que a relação entre ambos “está ótima”. “Falámo-nos, como sempre, muito bem”.

Na sua intervenção as palavras foram todas de elogio para o “passado riquíssimo e a capacidade de sonhar, projetar e construir o futuro” da escola e que levaram Marcelo a condecorar a Nova SBE com o título de Membro Honorário da Ordem de Instrução Pública.

“Tendo ensinado em muitas escolas, a começar na minha de origem, foi esta a mais exigente e rigorosa que pude conhecer numa carreira que está a chegar ao fim”, declarou Marcelo, que foi professor catedrático convidado naquela escola durante a década de 90.

A visita ao campus de 70 mil metros quadrados, quase em cima da praia de Carcavelos e com ligação direta ao areal, tinha sido feita na véspera. “Tudo excecional”, descreveu, lembrando que quando o projeto nasceu nem todos acreditavam ou aplaudiam a ideia. “Ao início foi considerada uma obra heterodoxa na localização, na envergadura financeira, na vontade de combinar rigor no ensino e na pesquisa com a qualidade de vida e o lazer. Houve mesmo quem dissesse que corria o risco de se tornar numa escola de surf. A mim não me complexava nada essa ideia, Sempre compatibilizei a academia com o surf e o bodyboard”.

O contributo dos privados para uma escola pública

O novo campus da NOVA SBE foi construído com base numa campanha inédita de recolha de fundos privados por parte de uma escola pública. Pedro Santa-Clara, professor da faculdade e presidente da Fundação Alfredo de Sousa, responsável pela concretização de um projeto nascido no auge da crise financeira, recordou como iniciou em 2013 uma “carreira de pedinchice” e de “promotor imobiliário”, batendo à porta de centenas de empresas e possíveis doadores.

O projeto convenceu a Câmara de Cascais a ceder o terreno, 46 empresas a contribuírem com 40 milhões de euros – o Santander, a Jerónimo Martins e a família Soares dos Santos estão entre os primeiros – e mais de 1500 pessoas, a maioria ex-alunos mas não só, a doarem 6 milhões de euros. O objetivo é chegar aos 50 milhões.

Além do financiamento, várias das empresas passam a ter o seu nome inscrito em diversas estruturas do campus, mas também a desenvolver projetos em conjunto com a escola.

“O sentimento de gratidão é profundo, só ultrapassado pelo sentimento de dever. A escola reassume hoje o compromisso com o futuro e os jovens de Portugal, com o talento e conhecimento que queremos inspirar e com o impacto e a esperança que queremos gerar”, salientou o diretor da Nova SBE, Daniel Traça.

O campus foi inaugurado oficialmente este sábado, mas as aulas para os três mil alunos de 74 nacionalidades diferentes que o frequentam já começaram. O objetivo é duplicar a população estudantil nos próximos anos.