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A pesada herança de Lucília Gago

Joana Marques Vidal enfrentou os poderosos, mas os desfechos dos processos ainda não são conhecidos. Boas ou más, as sentenças vão cair sobre a nova, e pouco conhecida, Procuradora-Geral da República, descrita como "discreta", "avessa a exposição" e "séria". O nome proposto pela ministra da Justiça foi aprovado pelo primeiro-ministro e pelo Presidente da República sem hesitações

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Jornalista de Sociedade

Quem? É a segunda vez que o nome de Lucília Gago causa o mesmo efeito. Da primeira, quando foi nomeada diretora do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, em substituição da magistrada mais conhecida do país, ninguém sabia quem era ou de onde vinha aquela procuradora logo descrita como “discreta”, “avessa a exposição” e “séria”. Agora, dois anos depois, quando a Presidência da República anunciou o nome da substituta da elogiada Joana Marques Vidal, a reação geral foi a mesma. Quem é esta mulher? “É uma magistrada. Ponto final”, sentencia um juiz que não quer ser identificado. “Gosta dos processos, dos tribunais, mas gosta pouco de problemas ou de ter de os resolver. E ainda menos de qualquer tipo de exposição. Quando soube da notícia, perguntei-me: mas porque é que ela que aceitou?”

“Às vezes, as pessoas têm de fazer sacrifícios. Acredito que aceitou por espírito de missão. Vai ser uma grande mudança na vida dela, não será fácil”, considera o magistrado Euclides Dâmaso, que conhece Lucília Gago há mais de 20 anos. “Se tivesse de a descrever, utilizaria duas palavras: serenidade e discrição. E ainda acrescentaria determinação”, diz o procurador-geral distrital de Coimbra.

Pela primeira vez, só um nome foi proposto pelo Governo ao Presidente, o que indicia que houve uma combinação prévia entre os dois. E, também pela primeira vez, tanto António Costa como Marcelo Rebelo de Sousa publicitaram as razões da escolha, justificaram a não renovação do mandato de Joana Marques Vidal com a necessidade de preservar a independência “de quem escolhe” e de “quem é nomeado” e enalteceram o currículo da nova procuradora-geral da República (PGR): magistrada do Ministério Público, com experiência em Direito Penal e estatuto de procuradora-geral adjunta.

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