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Advogado de José Sócrates diz que juiz foi "pela primeira vez" escolhido de forma legal

Ivo Rosa é o juiz de instrução escolhido, por sorteio, para decidir se nomes como o de José Sócrates ou Ricardo Salgado irão de facto a julgamento. Ao jornal Observador, o advogado do antigo primeiro-ministro mostra-se contente com o resultado

João Araújo, advogado do ex-primeiro ministro José Sócrates já reagiu à escolha, por sorteio, do juiz que irá decidir se o caso que envolve, entre outros nomes, o de Sócrates, chega ou não a julgamento. Numa declaração aos jornalistas, o advogado disse que "pela primeira vez" tinha sido escolhido um juiz "de forma legal e não pelo Ministério Público", sublinhado que não gostava que tivesse sido Carlos Alexandre o escolhido pela "evidente parcialidade" do magistrado. João Araújo disse ainda sentir "grande conforto, porque foi cumprida a lei".

Tiago Rodrigues Bastos, advogado de Armando Vara, outro dos arguidos, disse, por sua vez, ao jornal "Observador" que "a questão não era se tinha que ser Ivo Rosa, a questão é que não podia ser Carlos Alexandre".

Ambos os advogados por várias vezes tinham já demonstrado reservas com aquilo que consideram ser a falta de imparcialidade de Carlos Alexandre, pedindo até o afastamento do juiz.

Já Paula Lourenço, advogada de Carlos Santos Silva, empresário e amigo de José Sócrates, declarou aos jornalistas que ficou satisfeita com o nome ditado pelo sorteio. "Fico satisfeita por não ser o mesmo juiz que fez o acompanhamento de toda a fase de inquérito", afirmou Paula Lourenço, citada pela agência Lusa.

A Operação Marquês tem 28 arguidos e conta com José Sócrates, Ricardo Salgado, Zeinal Bava, Armando Vara e Henrique Granadeiro como protagonistas. O ex-primeiro-ministro está acusado de 31 crimes de corrupção passiva, falsificação de documentos, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.

A instrução do processo é uma fase decisiva, pode ler-se no Expresso Curto desta sexta-feira, porque é a primeira vez que os indícios recolhidos pelo Ministério Público são apresentados a um juiz que terá de decidir se têm força suficiente para levar os acusados a julgamento.

A fase instrutória foi pedida por 19 dos 28 arguidos. Se Ivo Rosa considerar que é pouco provável que a acusão consiga "aguentar" um julgamento, ou seja, que seria passível de ser invalidada por falta de provas, por exemplo, pode optar por não chamar os arguidos a julgamento.