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Incêndios de Pedrógão. Doze pessoas acusadas

MP acusa doze responsáveis por crimes de homicídio por negligência e de ofensa à integridade física por negligência na investigação aos incêndios de 17 de junho do ano passado que mataram 66 pessoas na região centro. Três autarcas e três responsáveis da Proteção Civil entre os arguidos

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Jornalista de Sociedade

A acusação do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Leiria deduziu acusação contra doze arguidos no âmbito do inquérito aos incêndios que, no dia 17 de junho de 2017, lavraram nos concelhos de Pedrogão Grande, Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos, Alvaiázere e Ansião. E que mataram 66 pessoas.

Os arguidos foram acusados dos crimes de homicídio por negligência e de ofensa à integridade física por negligência, sendo alguns destes de ofensa à integridade física grave.

"À data do incêndio, dos doze arguidos, dois eram quadros superiores de uma empresa de fornecimento de energia elétrica, três estavam investidos em funções de comando e coordenação no âmbito da proteção civil, três eram funcionários superiores da empresa responsável pela manutenção da EN 236-1, três eram autarcas de municípios onde ocorreram vítimas, sendo ainda um funcionário de um desses municípios", refere o DIAP de Leiria.

Entre os arguidos estão os presidente das autarquias de Figueiró dos Vinhos, Jorge Abreu, e de Castanheira de Pera, Fernando Lopes. Bem como José Graça, vice-presidente de Pedrógão Grande.

Também são arguidos Mário Cerol, segundo comandante do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Leiria, que dirigiu as operações no terreno; António Arnaut, comandante dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande, e Sérgio Gomes, comandante do CDOS que se internou no dia dos incêndios e numa primeira fase tentou dirigir o combate ao fogo à distância, pelo telefone.

"Não obstante a sua enorme complexidade, foi possível concluir a investigação em pouco mais de um ano, tendo o Ministério Público sido coadjuvado na sua ação pela Polícia Judiciária, Diretoria do Centro, e sido ainda mobilizados importantes contributos de diversas entidades públicas", acrescenta a nota do DIAP de Leiria.

O Governo, que assumiu em nome do Estado a responsabilidade pelas mortes, pagou 31 milhões de euros aos familiares das 116 vítimas mortais dos dois grandes incêndios do ano passado. Deste valor, mais de metade, cerca de 60%, foi relativo às mortes de Pedrógão Grande.