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Caso de Tancos. PJ suspeita que comandante da GNR de Loulé teve papel decisivo na devolução das armas

Relatório do Ministério da Defesa sobre o furto de armas destaca falhas de segurança nos paióis desde o final dos anos 90

Nuno Botelho

Equipa do Sargento Lima Santos conhecia o único civil detido na operação e fez a ponte entre o suspeito e a PJM. Esta é a convicção das autoridades que investigam o caso

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Jornalista de Sociedade

O papel do comandante do núcleo de investigação criminal da GNR de Loulé, o sargento Lima Santos, terá sido fundamental para a devolução do material de guerra num baldio na Chamusca.

A equipa da GNR agora detida conhecia o homem tido como próximo do grupo de assaltantes de Tancos e que já estaria referenciado pelas autoridades. Fontes ouvidas pelo Expresso garantem que este civil tinha acesso às armas.

Terá sido através do sargento da GNR que a equipa da Polícia Judiciária Militar (PJM) viu a possibilidade de o arsenal ser restituído. E daí a explicação para a participação de uma equipa da GNR de Loulé na operação de resgate das armas na Chamusca e não da de Santarém. Esta é a tese dos procuradores do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e da Unidade Nacional de Contra-Terrorismo (UNCC) da Policia Judiciária que lideram a Operação Húbris.

Este inquérito autónomo ao do roubo das armas de Tancos fez oito detidos até ao momento mas deverá haver mais pessoas presas nos próximos dias, entre elas um militar que se encontra em missão na República Centro Africana. “A PJM nunca viu com bons olhos a entrada da PJ na investigação ao roubo de Tancos e tudo fez para destruir a investigação”, conta fonte ligada a este inquérito.

De acordo com os investigadores, a PJM omitiu o telefonema anónimo que o piquete daquela polícia recebeu na madrugada de 18 de outubro sobre a entrega das armas, não permitiu o acesso do laboratório da PJ para analisar as armas encontradas na Chamusca e que foram transferidas no mesmo dia para a base de Santa Margarida. Mas não só. Terá combinado a entrega das armas com o civil agora detido à revelia da PJ e DCIAP. “Para ficar com os louros de ter feito a descoberta das armas”, garante um responsável ao Expresso.

Os oito suspeitos (quatro da PJM, entre eles o diretor daquela polícia, três da GNR de Loulé e o já referido civil) deverão ser ouvidos esta quarta-feira em Lisboa por um juiz de instrução para ficarem a saber da medida de coação.

São suspeitos dos crimes de associação criminosa, denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, favorecimento pessoal praticado por funcionário, abuso de poder, recetação, detenção de arma proibida e tráfico de armas.

No comunicado emitido esta terça-feira pela PGR e PJ não está feita qualquer referência a crimes de roubo em relação a estes oito suspeitos. Ou seja, e como realçou a PGR, sobre nenhum dos detidos recai a suspeita de participação no assalto ao paiol de Tancos, em junho do ano passado. Mas sim no reaparecimento das armas na Chamusca.

[atualizado às 15h55]