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Incêndios. Risco vai continuar “muito elevado” nos próximos dias

FOTO read MARK RALSTON/AFP/Getty IMAGES

Nesta quarta-feira será feita uma nova análise e decidida qual a tipologia de alerta para os próximos dias. Segundo o comandante nacional de operações e socorro, o risco de incêndio continua muito elevado devido ao tempo quente e seco

O risco de incêndio rural vai continuar "muito elevado" nos próximos dias, mantendo-se o alerta laranja (segundo mais grave de uma escala de cinco) até às 14h00 de quarta-feira, anunciou nesta terça-feira a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

Numa conferência de imprensa realizada na sede da ANPC, em Carnaxide, o comandante nacional de operações e socorro, Duarte Costa, avançou que na quarta-feira será feita uma nova análise e decidida qual a tipologia de alerta para os próximos dias.
Segundo o comandante nacional, o risco de incêndio continua muito elevado devido ao tempo quente e seco.

"Neste momento o risco de incêndio mantém-se muito elevado não só pela questão das temperaturas, mas principalmente pela recuperação de humidade, que não é suficiente", frisou.
Segundo Duarte Costa, nas últimas 72 horas registou-se um aumento das ocorrências de fogo, assim como um aumento dos incêndios "de maior complexidade". "Acentua-se a tendência para o aumento da frequência de fenómenos extremos, e fora de época, nomeadamente suscetíveis de originarem grandes incêndios rurais", sustentou.

Também devido às circunstâncias meteorológicas expectáveis para a primeira quinzena de outubro, o Governo decidiu prolongar, até 15 de outubro, o período crítico de incêndios no âmbito do Sistema de Defesa da Floresta Contra Incêndios, anunciou o presidente da ANPC, Mourato Nunes.

Este prolongamento do período crítico significa que vai continuar a ser proibido fazer no espaço florestal queimadas, queimas, lançar foguetes, fumar e utilizar certos tipos de máquinas agrícolas.
Nesse sentido, sublinhou que a mensagem principal continua a ser "tolerância zero ao uso do fogo", porque só assim haverá menos ocorrências de incêndio.

O comandante nacional destacou também que, desde 21 de setembro, foi efetuado um reajustamento de todo o dispositivo de combate de forma a responder mais eficazmente nos distritos onde o risco de incêndio aumentou substancialmente. Duarte Costa sublinhou também que a estratégia operacional de combate a incêndios rurais deste ano "tem produzido os resultados que neste momento estão à vista".

A ANPC refere que este ano registou-se uma redução de 44% do número de ocorrências de incêndios e uma diminuição de 63% da área ardida relativamente à média dos últimos 10 anos.
O comandante nacional disse ainda que este ano não se registaram dias com 300 ou mais ocorrências de fogo, como se verificavam em anos anteriores. Para Duarte Costa, esta redução do número de ocorrências ao longo do ano está também relacionada com o "sentido de responsabilidade dos portugueses.
"As campanhas de sensibilização têm produzido o seu efeito", frisou.

Também na conferência de imprensa, Nuno Moreira, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), disse que, do ponto vista meteorológico, setembro tem sido "um mês com temperaturas acima dos valores habituais". Nuno Moreira adiantou que este "final do verão tem um risco de incêndio muito superior ao início" devido à secura da vegetação e à ausência de precipitação.