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Sociedade

Farmácias perdem sete cêntimos por medicamento comparticipado

João Carlos Santos

Cada vez que um utente vai à farmácia aviar uma receita com copagamento pelo Serviço Nacional de Saúde, o prestador tem prejuízo, indica um estudo da Universidade de Aveiro. O diagnóstico é alarmante porque os fármacos comparticipados representam 72% das vendas totais do sector

As farmácias portuguesas têm prejuízo quando atendem utentes com receituário comparticipado pelo Serviço Nacional de Saúde. Por cada embalagem dispensada, os prestadores perdem cerca de sete cêntimos. A transação negativa é relevante, pois 72% das vendas totais das farmácias são relativas a fármacos com copagamento do Estado.

A conclusão faz parte do estudo “Sustentabilidade da Dispensa de Medicamentos em Portugal”, da Universidade de Aveiro em colaboração com a sociedade de revisores oficiais de contas Oliveira, Reis & Associados, e tem por base uma amostra de 1470 farmácias, em 2015 e 2016. "Durante este período de análise, o resultado líquido da farmácia média teve resultados negativos. Em 2015 foi de -3434 euros e agravou-se para -3836 euros em 2016."

63% das farmácias com prognóstico reservado

Segundo os autores, o cenário terá tido ligeiras melhoras durante o exercício do ano passado. "As projeções para 2017 indiciam uma ligeira recuperação, com o prejuízo estimado em -1757 euros, ainda assim insuficiente para reverter a situação económica do sector", alertam. Contas feitas, estão neste grupo 63% das farmácias da rede nacional.

"Os medicamentos comparticipados representam 72% das vendas totais das farmácias" e "os preços e as margens sofreram cortes no valor de 286 milhões de euros até 2016", é explicado. Segundo a Associação Nacional das Farmácias, o número de prestadores "em situação de insolvência ou penhora não pára de aumentar". Dados do MOPE do Centro de Estudos e Inovação em Saúde (CEFAR) indicam que são 22,8% os estabelecimentos nesta situação.

Também segundo o CEFAR, em cinco anos e oito meses, o número de insolvências aumentou 260,7% (mais 159 farmácias) e as penhoras 147,2% (mais 265 farmácias). No total, mais de 424 farmácias do que em 2012. E já em agosto deste ano, "19 distritos do país tinham mais de 10% das suas farmácias com ações de insolvência e penhora".