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Comediante Bill Cosby condenado a prisão por abuso sexual

NurPhoto/Getty

Tirbunal qualificou Cosby como um predador sexual e decidiu que o comediante terá de ter acompanhamento psicológico, além de passar a constar de um registo sobre abusadores

Três a dez anos de prisão. Foi esta a pena decidida nesta terça-feira pelo tribunal que julgou o processo que colocou o comediante Bill Cosby na cadeira dos réus, acusado de abuso sexual. Cosby, de 81 anos, foi também qualificado pelo tribunal como um predador violento, o que significa que terá de se sujeitar a ajuda psicológica para a vida e que o seu nome passará a integrar o registo de abusadores sexuais.

O tribunal rejeitou os argumentos da defesa de que a idade avançada e a cegueira de Cosby o impediriam de constituir uma ameaça. Desafiado pelo juiz a comentar a decisão, Cosby optou por permanecer em silêncio.

A sentença agora anunciada surge na sequêncdia da condenação de Bill Cosby durante um julgamento realizado em abril passado. O famoso comediante norte-americano foi considerado culpado de três crimes de abuso sexual agravado praticados contra Andrea Constand, na altura com 31 anos e treinadora da equipa de basquetebol na Temple University, em 2004.

Cosby foi condenado por sexo sem consentimento, penetração de uma pessoa inconsciente e penetração após administração de drogas à vítima. O testemunho de Constand foi descrito pela imprensa norte-americana como “bastante duro” até porque detalha o momento em que ela terá acordado e terá reparado que estava ser violada e ao mesmo tempo impossibilitada de se mexer por causa das drogas que Cosby diz ter oferecido por ela "parecer muito nervosa".

O episódio terá acontecido num dia em que Constand se deslocou a casa de Cosby para lhe pedir conselhos por este ser parte do conselho de administração da universidade onde tinha sido aluna. Em 2006, a primeira vez que Constand quis levar Cosby a tribunal, a queixa foi afastada pelos procuradores e Cosby terá pago à vítima 3,38 milhões de dólares (cerca de €2,8 milhões) como parte de um acordo de confidencialidade. Mas Constand decidiu não ficar por ai.

Esta foi a primeira condenação por abuso sexual depois de o escândalo "MeToo", sobre alegações de abuso e assédio sexual por parte de homens conhecidos das indústrias criativas, ter estourado nos Estados Unidos e, se nunca poderá oferecer conforto às mais de 50 mulheres que acusaram Cosby de assédio, abuso e violação, dá-lhes pelo menos a esperança de que venha a ser feita justiça também nos casos que lhes dizem respeito, não apenas neste.

Bill Cosby marcou a cultura pop norte-americana de uma forma que poucos apresentadores e comediantes fizeram. O programa com o seu nome “The Cosby Show” foi uma espécie de febre nos anos 80 e 90 e quando as suspeitas começaram a surgir o choque foi maior por ele sempre se ter apresentado como uma instituição conservadora, um pai de família típico.

Andrea Constand já tinha tentado que Cosby fosse condenado outra vez, sem sucesso. A reviravolta teve origem nos testemunhos de cinco outras mulheres que disseram aos jurados que acreditavam terem sido drogadas e agredidas sexualmente por Cosby nos anos 80. Os advogados de acusação utilizaram estes relatos para construir uma narrativa em que ficou provado, pelo menos assim decidiu o júri, que o caso de Constand não tinha sido um crime isolado mas um padrão de comportamento de Cosby. Em sua defesa, os advogados disseram que Constand tinha dito a uma outra pessoa na universidade, em 2004, que poderia ganhar dinheiro acusando pessoas famosas de abuso sexual e que os encontros entre ela e Cosby tinham sido consensuais.