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Rui Moreira e o Infarmed: “Este é um processo em que o poder político sucumbiu à máquina do Estado”

Rui Moreira foi a surpresa das autárquicas de 2013. Este domingo voltou a ganhar e conseguiu a maioria absoluta

Rui Duarte Silva

Presidente da Câmara do Porto diz ter sido informado pela comunicação social sobre a mudança de planos e considera que decisão de suspender a transferência do Infarmed para o Porto vai “contra uma deliberação do Conselho de Ministros”

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, não tem dúvidas: a suspensão da transferência do Infarmed para aquela cidade, anunciada pelo ministro da Saúde, mostra que “o poder político sucumbiu à máquina do Estado”.

Em declarações aos jornalistas, à entrada da Fundação Cupertino de Miranda, onde se realizará durante a noite desta segunda-feira um jantar/debate sobre descentralização e coesão territorial, o autarca do Porto disse nunca ter pedido ao Governo para deslocalizar o Infarmed para o Porto, embora tenha ficado obviamente “satisfeito” com a notícia.

Meses depois, diz-se desiludido com o recuo. “Fomos confrontados através da comunicação social com uma decisão que vai contra uma deliberação do Conselho de Ministros”, afirmou Rui Moreira, acrescentando que, até hoje, “ninguém do Governo, seja primeiro-ministro, seja ministro da Saúde”, falou com ele sobre o assunto.

O autarca do Porto disse ainda que já antevia um recuo como o que veio a verificar-se, dados os lentos progressos na instalação efetiva do instituto do medicamento naquela cidade, e afirmou com grande certeza que “algo obrigou o poder político a mudar de ideias”. “Não se trata de vir para o Porto ou não. Simplesmente, o Infarmed nunca irá sair de Lisboa e há uma razão para isso”, afirmou, acrescentando que apesar do descontentamento não tenciona pedir quaisquer explicações ao Governo. “Há um ditado que diz: tudo como dantes, quartel-general em Abrantes. Neste caso é tudo como dantes, Infarmed em Lisboa. Não me verão rasgar vestes por isto”.