Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Taxis vão ficar parados nas avenidas - e à porta de António Costa

MIGUEL A. LOPES

Taxistas querem ser recebidos por António Costa. Até lá vão continuar parados em protesto contra a entrada em vigor, a 1 de novembro, do diploma que regula as plataformas digitais de transportes, Uber, Taxify, Cabify e Chauffeur Privé. A decisão foi tomada após uma reunião em Belém, hoje à tarde

Os taxis em protesto deverão continuar estacionados nos próximos dias ao longo das principais vias da capital, como são os caso da Avenida da Liberdade e da Avenida da República. A decisão foi tomada depois de uma delegação dos representantes taxistas ter tido uma reunião hoje, ao final da tarde, com o chefe da Casa Civil do Presidente da República, em Belém. Os taxistas consideram que é necessária uma intervenção urgente do primeiro-ministro, António Costa, e não quererem a participação nem do ministro nem do secretário de Estado do Ambiente, porque estes dois governantes "são o problema e não a solução", dizem.

Já antes da reunião de 50 minutos, os taxistas em protesto tinham anunciado que pretendem iniciar, na segunda-feira, uma vigília em frente à residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, Lisboa. Será outra forma de continuar o protesto contra a entrada em vigor, a 1 de novembro, do diploma que regula as plataformas digitais de transportes - Uber, Taxify, Cabify e Chauffeur Privé.

A situação não será muito diferente noutros locais do país. No Algarve, os taxistas anteveem passar a quarta noite consecutiva junto ao aeroporto de Faro, apesar das altas temperaturas. Acontecerá o mesmo no Porto, onde se calcula que estejam 400 taxistas concentrados na avenida dos Aliados. "Ainda não há novidades que nos permitam fazer outra coisa, por isso vamos continuar aqui", disse à agência Lusa o presidente da Cooperativa Rotáxis Faro, Francisco José Pereira, que tem sido um dos porta-voz do grupo desde que o protesto se iniciou, na quarta-feira passada.

Questionado sobre se havia ânimo junto dos manifestantes para passar mais uma noite no local, a mesma fonte respondeu que "sim", e disse que "o mais provável será passar não só esta, mas também a próxima" noite. "Não estou a ver a política funcionar ao sábado e ao domingo, por isso o mais provável é continuarmos até segunda-feira e esperarmos que aí possa haver fumo branco."

No Algarve, na Estrada Nacional 125/10, perto da rotunda do aeroporto de Faro, a solidariedade entre a classe vai permitindo que uns vão revezando outros junto aos táxis, enquanto os colegas vão a casa tomar um banho e descansar.

JOSÉ COELHO/Lusa

No Porto, há os que aproveitam para jogar cartas, ler o jornal e dançar, e também quem transforme a avenida dos Aliados num parque de merendas, montando mesas de piquenique e aproveitando as sombras das árvores. Carlos Lima, vice-presidente da Federação de Táxis do Porto, apelou aos colegas de profissão para trazerem a família e, até os animais de estimação, a passarem o fim de semana na avenida dos Aliados: "Os colegas começam a ficar cansados. Noto muita esperança e fé, mas também noto muito cansaço e falta de sono". Apesar disso, os protestos também deverão continuar. "Vamos passar outra noite aqui. Aliás, vamos ficar aqui até terminar. E, se nada resultar na segunda-feira, continuamos. Não vamos desistir, vamos lutar e ter fé até ao fim."

As duas estruturas que representam o setor dos táxis, a ANTRAL e a Federação Portuguesa do Táxi, reuniram-se hoje em Lisboa, e decidiram pedir uma audiência com caráter urgente ao Presidente da República e ao primeiro-ministro. Florêncio Almeida, da ANTRAL, disse à agência Lusa: "Como o país não para ao fim de semana, vamos enviar uma carta ao Presidente da República e outra ao Primeiro-Ministro, para sermos recebidos com caráter de urgência, hoje ou amanhã". O mesmo responsável garante que estão atualmente paralisados em Lisboa mil e quinhentos taxis e outros mil e quinhentos no resto do país. E foi na capital, mais precisamente nos Olivais, que 15 táxis foram alvo de vandalismo.

A PSP suspeita de outros taxistas ou de residentes que ali queriam estacionar: "Confirmamos a existência de 15 táxis que foram objeto de vandalismo. Cerca de 55 pneus foram danificados, alguns foram cortados e a outros foi retirado o ar", disse fonte oficial da PSP de Lisboa à Lusa. De acordo com a polícia, os carros encontravam-se estacionados na Avenida Pádua, junto ao cemitério dos Olivais.

O PCP pediu, esta sexta-feira, a revogação da lei. Numa primeira fase, os representantes dos motoristas de táxi exigiam que os partidos apresentassem, junto do Tribunal Constitucional, um pedido de fiscalização sucessiva da constitucionalidade do diploma, uma exigência que não foi acolhida pelos grupos parlamentares: "A proposta do PCP é o que queremos, mas sozinha vale pouco. Queremos que partidos com assento parlamentar apoiem, para que a proposta passe", afirmou, manifestando esperança no PSD, que "já meteu um requerimento para ouvir o ministro [do Ambiente] com caráter de urgência".