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Quando vamos passar a incluir a Lua na lista de destinos de férias?

Falta pouco para que a órbita da Lua seja acessível a gente de bolsos recheados. Não há voos low-cost

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Quando os líderes das administrações das grandes empresas se maçam de dar cabo da Terra viram-se para o espaço. Este é o (maravilhoso) título de um artigo da revista “Technology Review” que, em março de 2017, analisava o impacto do negócio do espaço ao nível de empresas com volumes de negócio da ordem dos 12 zeros (bilião) que estão na linha de partida para investir nele.

Há um ano Jeff Besos (CEO da Amazon), Elon Musk (CEO da SpaceX) e Richard Branson (CEO da Virgin Galactic) anunciavam novos planos que bem podem abrir em breve um novo filão de lucro para as suas empresas. Um futuro de origem extraterrestre.

Nos anos 80 isto soaria a um passo positivo no contacto com os outros seres que os humanos não param de procurar no resto do universo. Hoje em dia, soa exclusivamente a negócio. E a popularidade. A “conquista” do espaço transformou-se na fronteira seguinte para uma das (mais poluentes) indústrias da atualidade, o turismo.

Daí que o anúncio esta semana do nome do primeiro cliente que já “comprou bilhete” para fazer a circum-navegação da Lua com a SpaceX, o multimilionário japonês da moda online Yusaku Maezawa, de 42 anos, possa marcar o início de uma nova normalidade. Pagará certamente muitas, muitas centenas de milhares de dólares...

Se até agora nem 600 pessoas foram além do Kármán, o ponto cerca de 100 quilómetros acima da Terra que marca o princípio do espaço, e todas lá chegaram “enviadas” pelo Governo dos Estados Unidos ou outros, como escreve a Futurismo.com, isso está para acabar.

A emergência de empresas de voos espaciais privados como a Virgin Galactica ou a SpaceX faz prever que os astronautas privados, também conhecidos por turistas do espaço, que estiverem em fila de espera para embarcar em voos orbitais ou suborbitais tenham de se preparar para partir dentro de poucos... anos.

Estamos a olhar para o início do acesso e da vulgarização do que antes pertencia ao domínio do inacessível. O comboio já foi acessível a muito poucos e houve tempos em que os detratores dos caminhos de ferro argumentavam que o ouvido humano não aguentaria mais de 30 km/hora sem ficar sujeito a lesões irreversíveis.

2020 ordem para alunar

Basta escrever space travel no browser para encontrar um vídeo curto da SpaceX onde se clarificam os termos da corrida: há 48 anos, Neil Armstrong deu na Lua um gigante passo para a Humanidade e a sua pegada lunar foi secundada por mais 11 astronautas. Há décadas que o Homem não voltou a sair da Terra, porém a SpaceX já provou que uma forma de redução dos custos das viagens pelo espaço é reutilizar os componentes dos foguetões de primeira geração.

O calendário da empresa é ambicioso mas nem por isso tão díspar do de outras agências espaciais como a NASA (EUA), a ESA (Europa), a CNSA (China), a Roscosmos (Rússia) e a Jaxa (Japão). O primeiro modelo a enviar pela SpaceX para Marte partirá em 2020 e o segundo, desta vez tripulado, está marcado para 2026.

Uma coisa é certa, se as missões tripuladas atraem mais a atenção — Yusaku Maezawa vai fazer o que for preciso para ficar globalmente conhecido — o corpo importante de conhecimento da robótica vem da exploração dos robôs feita pelos veículos como orbitals, rovers e landers. É o mesmo que dizer que, ainda por algum tempo, o que o homem faz no espaço é passear.

Em março deste ano, Donald Trump deu ordem à NASA para “meter gente em Marte” lá para 2033.

Independentemente do que uma viagem dessas implica, e ainda mais sendo tripulada, do ponto de vista orçamental e de investigação tecnológica, a diretiva do Presidente americano revela antes de mais o fascínio dos humanos pelas viagens através do espaço interestelar.