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Sociedade

Para prevenir a demência, eliminar as células "zombie"

Estudo sugere a possibilidade de novos tratamentos para o Alzheimer e outras doenças degenerativas

Luís M. Faria

Jornalista

Uma equipa de Clínica Mayo em Rochester (Minnesota, Estados Unidos) realizou um estudo que poderá ter descoberto uma nova forma de eliminar, ou pelo menos retardar, os elementos patológicos da neuro-degenerescência. Segundo o estudo, que foi publicado na conceituada revista Nature, uma estratégica possível consiste em eliminar as chamadas células senescentes no cérebro.

Trata-se de células que pararam de se dividir mas não desapareceram, ficando, por assim dizer, a prejudicar as células saudáveis. No estudo realizado sobre ratos, explica um dos autores, "quando as células senescentes foram removidas, descobrimos que os animais doentes retinham a capacidade de formar memórias e eliminaram sinais de inflamação, mantendo a massa cerebral normal".

As células em questão, apelidadas 'zombies' por razões óbvias quando entram em declínio, pertencem à categoria das células gliais, essenciais no apoio ao funcionamento do sistema nervoso central. "Prevenir a acumulação de gliais senescentes pode bloquear o declínio cognitivo e a neurodegenerescência normalmente experienciada por estes ratos", escrevem outros dois investigadores.

Ainda está longe o momento em que eventualmente surgirão medicamentos baseados nesta conclusão que possam ajudar a combater doenças como o Alzheimer em seres humanos. Contudo, numa área onde urge produzir novos tratamentos - as demências chegam a ultrapassar 40 por cento da população a partir de certas idades - o estudo agora publicado dá pelo menos algum motivo para esperança.