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Lisboa, para onde vais?

Fernando Guerra/FG+SG

A cidade está a viver um momento único na sua história e nunca atraiu tanto dinheiro. Nos próximos anos, o boom promete continuar... E para onde vão os lisboetas?

Quando, em 1987, Antonio Muñoz Molina, um dos mais consagrados escritores ibéricos, escreveu “Inverno em Lisboa” e iniciou a sua relação amorosa com a cidade, escolheu-a como um dos seus retiros privilegiados para o ofício da escrita. Muito dos romances que publicou foram desenhados num dos seus refúgios preferidos, um apartamento barato que alugava em Alfama, o bairro de casas da malha labiríntica e becos sujos que sempre encantou turistas curiosos de uma atmosfera de cidade intemporal e genuína que Lisboa parecia querer eternamente conservar. Em final de 2013, numa conversa com o escritor catalão sobre o crescimento das cidades europeias e o boom turístico que parecia abalar irreversivelmente Barcelona, Molina advertia-nos: “O que mais me encanta aqui é a escala do humano e como se soube preservar o que sempre foi. Essa intimidade que Lisboa conserva — e é uma coisa que só existe aqui e é profundamente universal — é fundamental. Quando se perde, perde-se para sempre. E digo isto sem qualquer nostalgia.”

Essa marca de proximidade e de convivência entre a vida da cidade e os seus cidadãos, numa cultura simultaneamente tradicional e contemporânea e que tanto encantava os visitantes de fora, parecia estar ainda presente na vida de Lisboa no momento em que nos encontrávamos em frente ao escritor, no Hotel do Bairro Alto, a olhar para a Praça Camões, praticamente deserta naquela manhã de sábado. Quase se julgaria impossível antever a transformação súbita que em breve iria sobressaltar os lisboetas, tão habituados que estavam a uma escala de cidade de centros históricos transitáveis, rendas confortáveis e uma coabitação de grande diversidade social.

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