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Táxis. “Não podemos matar alguém e só depois concluir o motivo da morte”

O segundo dia de greve dos taxistas mobilizou aproximadamente 2200 profissionais do sector

Foto Tiago Petinga / Lusa

O segundo dia de protestos dos taxistas para travar a “Lei Uber” fez com que 2200 motoristas parassem o trânsito, avançam ao Expresso as duas associações do setor, que irão ser recebidas na próxima segunda-feira pelo Presidente da República

Corre o segundo dia de greve dos taxistas, convocada pelas duas estruturas representativas do setor – ANTRAL e Federação Portuguesa do Táxi –, na tentativa de enviar um contundente sinal de “stop” à entrada em vigor, a 1 de novembro, da “Lei Uber”. O diploma foi aprovado a 12 de julho e promulgado a 31 de agosto, com vista à regulamentação do Transporte em Veículo Descaracterizado a partir da Plataforma Eletrónica (TVDE). A paralisação esta quinta-feira é, diz Florêncio de Almeida , líder da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), ouvido pelo Expresso, superior aos números registados na véspera, com “aproximadamente 2200” motoristas em protesto, face aos 1300 estimados na quarta-feira.

A cidade mais afetada continua a ser Lisboa, com um acréscimo de 200 ou 300 viaturas, mas a mobilização estende-se também às cidades do Porto, onde 400 táxis estão parados, enquanto Faro mantém os 270 carros imobilizados, números avançados ao Expresso pelas duas estruturas sindicais. “A situação nas três cidades está mais complicada hoje do que ontem. O conhecimento que eu tenho é que há mais carros parados em Lisboa, Porto e Faro”, afirma o dirigente da ANTRAL.

Florêncio de Almeida acrescenta não haver registo de qualquer problema ao longo da ação de protesto contra a regulamentação de plataformas de transporte, como a Uber ou a Cabify. “Ontem, à hora de almoço, houve um indivíduo que se exaltou, no Porto, mas à exceção dessa situação não temos conhecimento de qualquer outra incidência”, assegura.

Foto José Coelho / Lusa

Também o presidente da Federação Portuguesa do Táxi, Carlos Ramos, frisa o apelo lançado a todos os taxistas, para que não reajam a provocações. “Tudo tem corrido bem, sem conflitos. Temos de defender a imagem que transmitimos ontem à opinião pública e os colegas estão efetivamente a cumprir, mesmo com algumas ocorrências de pessoas que passam e gozam com os profissionais”, nota o representante da FPT.

Protesto prossegue por tempo indeterminado

Para que haja fumo branco, Carlos Ramos assegura que a resolução “passa por uma suspensão da lei ou apresentar um conjunto de medidas para a modernização do sector” dos táxis. O associativista diz também não entender a posição "dos partidos mais à direita, e até do PS, que reconhecem que alguns aspetos da lei podem não ser os mais perfeitos, mas que primeiro entrará em vigor e só depois será avaliada”. Recorrendo a uma metáfora, o presidente da FPT ironiza: “Não podemos matar alguém e só depois concluir o motivo da morte”.

O eixo central da Avenida da Liberdade, em Lisboa, cortado na quarta-feira devido à concentração de taxistas em protesto, foi reaberto esta manhã, cerca das 7h30, pela Polícia de Segurança Pública, uma decisão que não foi bem recebida pelos insurgentes. “Foi uma forma que a PSP encontrou para nos provocar, de forma a que os taxistas reagissem de forma desordeira”, considera Florêncio de Almeida. “Isso não aconteceu nem vai acontecer, porque não vão ter argumentos para nos retirar dos locais onde nos encontramos estacionados”, garante ao Expresso.

“O objetivo é continuar o protesto por tempo indeterminado”, revela ainda o líder da ANTRAL, enquanto o homólogo associativo Carlos Ramos considera ter sido “o Governo e os partidos que aprovaram a lei a empurrar-nos [aos taxistas] para esta situação”. Segundo ele, a classe está pronta para manter a luta, com “muita força e consciência”, estacionada na rua pelo menos até à próxima segunda-feira, dia em que Marcelo Rebelo Sousa irá receber, pelas 15h, no Palácio de Belém, as duas estruturas representativas. “Vamos naturalmente aceitar o convite e, até lá, permanecer firmes no motivo pelo qual estamos parados, até que haja uma resposta positiva”, finaliza o dirigente da Federação Portuguesa do Táxi.