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Táxis. Associações dizem que noites de quinta e sexta serão decisivas para protesto

JOSÉ COELHO/Lusa

Taxistas pediram aos grupos parlamentares para que seja iniciado o procedimento de fiscalização sucessiva da constitucionalidade do diploma que regulamenta as plataformas eletrónicas

As associações que representam o setor do táxi consideraram nesta quinta-feira, numa comunicação aos profissionais que se encontram nos Restauradores, em Lisboa, que esta noite e o dia de sexta-feira serão decisivos para o protesto que começou na quarta-feira.

"Resistir, resistir, resistir. Não sairmos daqui. Penso que esta noite e amanhã [sexta-feira] é determinante para as conclusões da nossa luta", disse o presidente da Federação Portuguesa do Táxi (FPT), Carlos Ramos, falando aos presentes. Para o dirigente, será necessário "esperar qual o desenvolvimento que possa vir a acontecer a partir do momento que o senhor primeiro-ministro esteja cá em Portugal".

O primeiro-ministro, António Costa, participou hoje numa reunião informal de chefes de Estado e de Governo que decorreu em Salzburgo, na Áustria.

Tomando a palavra, Florêncio Almeida, da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), aproveitou para "enaltecer" que os taxistas estão a limpar a sua imagem com a atitude pacífica que estão a adotar na manifestação. "Queria enaltecer, mais uma vez, que estamos a ganhar a população, estamos a ganhar tudo o que nós tínhamos de mau, que não tínhamos, mas pelo menos acusaram-nos", disse.

"Hoje, às 7h00, quiseram desmobilizar-nos e criar uma situação, se calhar, para denegrir a nossa imagem, mas nó soubemos responder com o nosso civismo. E é com este civismo que eu espero continuar pelo tempo que for necessário, para nós vencermos a nossa batalha", reiterou, garantindo que ficarão nas ruas o "tempo que for necessário". Em linha com a FPT, a ANTRAL apontou esperar que "amanhã haja mais desenvolvimentos" e que o Governo possa receber estes profissionais e dar "alguma promessa" que os leve a desmobilizar.

Referindo-se a carros das plataformas eletrónicas de transporte de passageiros, Florêncio Almeida afirmou que "neste momento as provocações estão a aparecer", apelando a que os profissionais "mantenham a calma". Após as declarações dos dirigentes das entidades que representam o setor do táxi, os profissionais que se encontravam na Praça dos Restauradores entoaram palavras de ordem: "O táxi unido jamais será vencido", "Somos táxi", "Viva o táxi".

Os taxistas em Lisboa, no Porto e em Faro mantêm-se nesta quinta-feira em luta para travar a lei que regulamenta as plataformas eletrónicas de transporte de passageiros, como a Uber e a Cabify, que entra em vigor em 1 novembro. Depois de um protesto ordeiro, na quarta-feira, que parou cerca de 1.500 carros naquelas cidades, as pretensões dos taxistas não foram atendidas pelos grupos parlamentares, pelo que as associações representativas do setor decidiram manter o protesto hoje.

Os taxistas pediram aos grupos parlamentares para que seja iniciado o procedimento de fiscalização sucessiva da constitucionalidade do diploma que regulamenta as plataformas eletrónicas, legislação promulgada pelo Presidente da República em 31 de julho.

Numa atualização do número de profissionais que se juntaram ao protesto, que decorre em vários pontos do país, o presidente da FPT informou que estão 270 táxis parados em Faro, 400 no Porto, e cerca de 1.400 em Lisboa. "Hoje há mais viaturas em Lisboa do que ontem. Aliás, o efeito que pretenderam provocar foi mobilizador, e o facto de nós termos ficado aqui a noite toda também mobilizou muita gente que pensava que isto era mais uma situação passageira", advogou Carlos Ramos.