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A marca de Joana Marques Vidal e os processos que Lucília Gago vai herdar

José Caria

Da política ao desporto, o mandato da ainda procuradora fica marcado por processos longos e mediáticos

Joana Marques Vidal deixa a Procuradoria-Geral da República com a imagem de que ninguém está imune às investigações do poder judicial. Na passagem de pasta à futura procuradora, Lucília Gago, ficam dossiês quentes, entre os quais se destaca a Operação Marquês.

O processo que, pela primeira vez, levou à prisão preventiva de um ex-primeiro-ministro, é a grande marca do mandato da ainda PGR. A operação que tem como arguidos José Sócrates e Ricardo Salgado, entre outros 26, começou em 2014, sob a tutela do procurador Rosário Teixeira que deduziu a acusação a 11 de outubro de 2017.

José Sócrates está acusado de 31 crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, branqueamento de capitais, falsificação de documento e fraude fiscal qualificada. Nos próximos meses, um juiz de instrução decidirá se todos os 28 arguidos seguirão para julgamento.

A investigação ao banco BES dura há vários anos e é outra das pastas quentes que Marques Vidal deixa a Lucília Gago. Conta 17 arguidos, 14 pessoas singulares e três coletivas, sendo Ricardo Salgado o mais mediático.

Foi também durante o mandato de Joana Marques Vidal que se iniciou a Operação Lex, o caso no qual o juiz Rui Rangel é acusado de vender sentenças. Segundo a investigação, o desembargador oferecia-se, também, para influenciar colegas e era ajudado pela ex-mulher, a juíza Fátima Galante, a escrever os acórdãos. O processo conta com 12 arguidos, entre eles Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, acusado de pedir favores a Rangel em troca de um lugar na Fundação Benfica.

Os incêndios de Pedrógão Grande, no verão do ano passado, deram origem a dois processos distintos. A investigação judicial ao que falhou no combate ao fogo e no socorro às vítimas conta já com 18 arguidos, entre eles Mário Cerol, responsável por comandar as operações no terreno, António Arnaut, comandante dos bombeiros de Pedrógão Grande, e ainda Sérgio Gomes, comandante distrital que esteve hospitalizado durante o incêndio e que tentou comandar as operações através do telefone. Nem todos deverão ser acusados A investigação revelou que as "populações foram deixadas desprotegidas".

O Ministério Público investiga ainda as fraudes na reconstrução das casas danificadas pelo incêndio. O Departamento de Ação e Investigação Penal de Coimbra já confirmou a existência de quatro suspeitos no caso.

No futebol, o destaque vai para o e-toupeira, no qual estão acusados dois funcionários judiciais, a SAD do Benfica e Paulo Gonçalves, antigo assessor jurídico do clube. Em causa estão vários crimes de corrupção, recebimento indevido de vantagem, favorecimento pessoal, violação de segredo, peculato, acesso indevido, violação do dever de sigilo e falsidade informática.

O Sporting também não escapou à mira do Ministério Público através da Operação Cashball, na qual foram constituídos arguidos dois funcionários do clube. No gabinete de André Geraldes, então diretor-geral do clube, foram encontrados 60 mil euros que, alegadamente, seriam destinados ao suborno de árbitros.