Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Táxis. Representantes apelam à manutenção do protesto nas ruas

JOSÉ COELHO/Lusa

Dirigentes das duas associações que representam os interesses do setor decidiram manter as iniciativas de protesto em Lisboa, Porto e Faro

As duas entidades representativas do setor do táxi apelaram nesta quarta-feira para que os profissionais se mantenham em protesto nas ruas, depois de terem estado reunidas com os grupos parlamentares.

Após os encontros no parlamento, já nos Restauradores, local do início do protesto em Lisboa, o presidente da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), Florêncio de Almeida, disse que tanto esta entidade como a Federação Portuguesa do Táxi (FPT) entendem que o protesto deve continuar.

Os taxistas estão concentrados em Lisboa, no Porto e em Faro, com as viaturas paradas nas ruas, para tentar impedir a entrada em vigor, em 1 de novembro, da lei que regula as plataformas eletrónicas de transporte de passageiros em veículos descaracterizados.

Catorze horas depois do início da concentração, os responsáveis do setor voltaram aos Restauradores para dar conta das reuniões com os partidos políticos no Parlamento, apelando aos companheiros para que não desmobilizassem, uma vez que as reivindicações do setor não tinham sido satisfeitas.

Coube a Carlos Ramos, presidente da FPT, a explicação da posição dos partidos com assento parlamentar, começando por dizer que os partidos da esquerda disseram "ter intenção de acompanhar a luta do setor e que estão disponíveis para subscrever, depois de análise profunda ao que é efetivamente inconstitucional", o pedido ao Tribunal Constitucional para fiscalizar o diploma.

Esta foi a mensagem e a posição tomada pelo PCP, Os Verdes e Bloco de Esquerda, de acordo com Carlos Ramos, que disse ainda que os comunistas avançaram no parlamento que "vão suscitar a revogação da lei que pretende regular as plataformas eletrónicas de transporte em veículo descaracterizado (TVDE), mas não a sua suspensão". Segundo o presidente da FPT, para os restantes partidos, incluindo o PS, tudo se resume a "um 'nim'":

"Nós falamos em alhos e eles em bugalhos. Nós dizemos que queremos assim e eles que não pode ser assim", disse. Segundo Carlos Ramos, o PS reconheceu que "há necessidades de aperfeiçoar a lei, mas que primeiro esta tem de entrar em vigor" e depois de um balanço estão disponíveis para fazer as suas melhorias.

Posição idêntica teve o PSD acrescentando um pormenor à ideia do PS, adiantando que vai "pedir com urgência" a ida do ministro [do Ambiente] ao parlamento para discutir a questão. Já do CDS, os representantes dos taxistas ouviram "que não vale a pena" e que não estavam disponíveis para subscrever qualquer documento a suscitar a inconstitucionalidade da lei e "muito menos pedir a suspensão ou revogação da lei".

"Todos dizem a mesma coisa, vamos deixar que a lei seja aplicada e depois avaliamos a lei durante um ano ou ano e meio", disse o responsável perante a plateia de centenas de taxistas que começaram a agitar-se a gritar palavras de ordem.

Foi então que Florêncio Almeida se dirigiu aos companheiros e anunciou o que as duas associações tinham decidido fazer. "Nós associações somos da opinião de que não devemos desmobilizar", disse Florêncio Almeida sob um forte aplauso dos taxistas. "Todos agora ou ninguém no futuro", disse o responsável, apelando a que os taxistas não desmobilizem e pedindo aos colegas do turno da noite para se juntarem à luta.

Florêncio Almeida pediu ainda aos familiares dos taxistas para se juntarem e levarem colchões e comida. No final da comunicação, as centenas de taxistas aplaudiram os seus representantes e gritaram "somos táxis, somos táxis".

Os representantes dos taxistas, já tinham dado um sinal do que se podia esperar quando estavam a sair da AR e a Antena 1 perguntou à comitiva se podia pelo menos dizer se tinha ficado satisfeita com o resultado das reuniões, ao que o Florêncio disse apenas que estavam "insatisfeitos".

Antral apela aos taxistas do Norte a concentrarem-se no Porto

O vice-presidente da ANTRAL também apelou no Porto à mobilização de todos os taxistas do distrito e distritos vizinhos para que se juntem à concentração que desde as 6h00 está a condicionar o trânsito na avenida dos Aliados. "Apelo aos companheiros que se juntem a esta luta. Nós podemos lutar e perder, mas não podemos perder sem lutar", afirmou José Monteiro.

O responsável, que se dirigia a algumas dezenas de taxistas concentrados desde as 06h00 nos Aliados, explicou que após reuniões com os vários partidos, as diferentes estruturas do setor decidiram prolongar a concentração sem data para terminar. José Monteiro referiu ter falado com o Comando Metropolitano da PSP do Porto, que lhe terá transmitido que a autorização para a concentração de taxistas nos Aliados termina às 00h30.

Foi decidido, porém, que os motoristas se vão manter ordeiramente e sem abandonar as viaturas durante toda a noite. Segundo o vice-presidente, os dirigentes das estruturas representativas presentes (ANTRAL e Federação de Táxis do Porto) foram já identificados pela polícia e vão "incorrer numa ilegalidade e responder por isso".

Após os encontros no parlamento, a Associação Nacional de Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL) e Federação Portuguesa do Táxi apelaram para que os profissionais se mantenham em protesto nas ruas, defendendo que o protesto deve continuar.

Os taxistas concentrados na avenida dos Aliados, no Porto, em protesto contra a lei que regula as plataformas eletrónicas de transporte que operam em Portugal, decidiram manter a concentração, seguindo o apelo feito pelas entidades representativas do setor. Ao longo da avenida estão concentrados cerca de 200 táxis, ocupando uma faixa de rodagem em cada sentido.

Os taxistas manifestam-se hoje em Lisboa, Porto e Faro contra a entrada em vigor, em 1 de novembro, da lei que regula as quatro plataformas eletrónicas de transporte que operam em Portugal -- Uber, Taxify, Cabify e Chauffeur Privé. Desde 2015, este é o quarto grande protesto contra as plataformas que agregam motoristas em carros descaracterizados, cuja regulamentação foi aprovada, depois de muita discussão, no parlamento, em 12 de julho, com os votos a favor do PS, do PSD e do PAN, os votos contra do BE, do PCP e do PEV, e a abstenção do CDS-PP.

A legislação foi promulgada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em 31 de julho. Os representantes do setor do táxi enviaram à Assembleia da República um pedido para serem hoje recebidos pelos deputados, a quem pediram esta tarde seja iniciado o procedimento de fiscalização sucessiva da constitucionalidade do diploma e que, até à pronúncia do Tribunal Constitucional, se suspendam os efeitos deste, "por forma a garantir a paz pública". Desta vez, os táxis mantêm-se parados nas ruas e não realizam uma marcha lenta.

Ao início de tarde, perto de 1.500 carros estavam concentrados nas três cidades, segundo a organização: perto de 1.000 em Lisboa, cerca de 200 em Faro e 280 no Porto. A meio da tarde, no Porto, houve um momento de alguma tensão entre um taxista que insultou e tentou agredir o dirigente da ANTRAL.