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Secretária de Estado da Indústria: “Sustentabilidade deve ser missão para empresas e sociedade”

Ana Teresa Lehmann, secretária de Estado da Indústria, fechou o primeiro evento do projeto "Conversas de Inovação"

NUNO FOX

Ana Teresa Lehmann acredita que, mais do que uma moda, a sustentabilidade é, a par com a inovação, uma exigência para as empresas que queiram estar na linha da frente

Fátima Ferrão

Boa reputação, melhores produtos e maior satisfação dos colaboradores são alguns dos resultados mais visíveis das práticas de sustentabilidade nas empresas. Esta é, para Ana Teresa Lehmann uma realidade incontornável para os negócios que queiram manter-se competitivos e bem posicionados face aos desafios do presente e do futuro. A secretária de Estado da Indústria falava no encerramento do projeto 'Conversas de Inovação', desta feita uma parceria entre o Expresso e a Tabaqueira, que procura debater temas de atualidade, que preenchem a agenda de empresas e gestores. A governante lembrou ainda as palavras do naturalista britânico David Attenborough - seu ídolo de infância - de que "não há outro planeta", sublinhando que "não temos um planeta B", para reforçar a necessidade de definir estratégias urgentes que garantam uma resposta positiva aos três pilares da sustentabilidade: económico, ambiental e social.

Sob o mote "sustentabilidade, inovação e novos produtos", o debate desta manhã contou ainda com a presença de Ana Trigo de Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde, João Vasconcelos, ex-secretário de Estado da Indústria e fundador da Conselho, Luís Araújo, Presidente do Turismo de Portugal, Pedro Oliveira, CEO da BP Portugal, Miguel Matos, diretor-geral da Tabaqueira, e Miguel Coleta, diretor de sustentabilidade da Philip Morris International. A conversa contou com a moderação de Ricardo Costa, diretor-geral de informação da Impresa.

A presença de duas grandes multinacionais da indústria, como a Tabaqueira e a BP, pode parecer inusitada numa conversa sobre sustentabilidade e boas práticas ambientais. No entanto, como referiu Miguel Coleta durante a apresentação que precedeu o debate, a indústria não é o problema, mas deve fazer parte da solução, contribuindo com soluções, produtos e serviços inovadores e que façam realmente a diferença. É verdade que, explica, "inovação não é sinónimo de sustentabilidade, mas o paradoxo de que mais sustentabilidade para o futuro exige inovação é uma verdade indesmentível", acredita. Este tem sido o caminho da Philip Morris Internacional que tem investido na investigação e desenvolvimento de novos produtos que permitam dar resposta ao desafio de criar alternativas ao tabaco tradicional. Até 2025, a empresa visa atingir a meta de ter 30% dos consumidores dos seus produtos a preferir alternativas sem tabaco ou de tabaco aquecido, menos prejudiciais à saúde e ao ambiente.

Uma estratégia semelhante tem sido seguida pela BP. "Nos próximos 25 anos o mundo precisará de muito mais energia, mas para dar resposta a este desafio, a indústria petrolífera terá de otimizar e desenvolver toda a sua cadeia de valor atual", reforça Pedro Oliveira. O CEO recorda a meta, definida pela multinacional que representa, de não acrescentar mais ao nível de emissões mundiais, que apenas será viável através de uma atenta revisão de processos na cadeia de valor, da criação de mais parcerias estratégicas com produtores de energias renováveis, e de uma otimização dos produtos.

João Vasconcelos destaca a este propósito que a indústria nacional está no bom caminho, a crescer e a desenvolver estratégias de sustentabilidade, apesar de ter ainda uma longa batalha pela frente. "Pela primeira vez há consumidores e mercados que valorizam a sustentabilidade e o digital está a trazer uma maior projeção a esta questão, mas também a impor uma grande exigência". Ana Trigo de Morais partilha de opinião semelhante quanto ao posicionamento do país face a este tema. "Portugal está muito bem quando comparado com outros países europeus", destaca. Ainda assim, lembra, "não é possível ficar sentado, à espera para ver, quando falamos de sustentabilidade, inovação e novos produtos". A CEO da Sociedade Ponto Verde recorda ainda que há grandes desafios regulatórios e de metas que é preciso não esquecer.

Também no setor do Turismo há grandes desafios de sustentabilidade. Luís Araújo recorda a meta definida pelo Turismo de Portugal de ter, nos próximos anos, 90% das empresas do setor preocupadas com temas como a gestão das águas, dos resíduos e da energia. Para o responsável o papel das empresas será fundamental e vai de encontro às exigências já hoje manifestadas pelos consumidores.