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Descoberta surpreendente. Insetos podem contaminar os seus predadores com microplásticos

Getty

Estudo britânico revela que partículas de plástico ingeridas por mosquitos durante a fase larval permanecem nos seus organismos até à vida adulta, podendo estes contaminar os seus predadores. Pesquisa lança novo alerta sobre as potenciais consequências da contaminação das águas

O microplástico que contamina as águas pode ser transportado através de insetos voadores, revelou uma nova pesquisa, o que torna possível a contaminação de novos ambientes e ameaça pássaros e outros animais que se alimentem destes insetos.

O estudo divulgado por cientistas britânicos e publicado esta quarta-feira na revista “Biology Letters revela que, através de mosquitos, os microplásticos podem acabar no organismo dos seus predadores, sejam pássaros, morcegos ou aranhas.

Depois de alimentarem larvas de mosquitos da espécie Culex pipiens com microplásticos, os cientistas envolvidos na pesquisa descobriram que as partículas permaneceram dentro dos animais ao longo dos seus diferentes estágios da vida.

Após os mosquitos ingerirem água contendo 80 mil partículas de plástico por mililitro durante o seu terceiro estágio larval, os cientistas encontraram, em média, 3000 partículas em cada mosquito no quarto estágio larval. Ao chegarem à fase adulta, cada um deles ainda continha cerca de 40 partículas de plástico no seu organismo.

Este é mais um alerta a fazer aumentar a preocupação com a poluição por microplásticos, numa altura em que se descobrem cada vez mais lugares contaminados, sabendo-se ainda pouco sobre como estes podem prejudicar a vida selvagem ou os próprios seres humanos. As partículas de plástico podem conter bactérias ou libertar substâncias químicas tóxicas.

“É uma realidade chocante que o plástico esteja a contaminar quase todos os tipos de ambiente e os seus ecossistemas”, disse a professora Amanda Callaghan, da Universidade de Reading, no Reino Unido, que liderou o estudo agora apresentado.

Plásticos foram encontrados dentro de muitas aves marinhas, mas esta é a primeira pesquisa que sugere que as aves terrestres que comem insetos estão também em risco.