Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Soon-Yi defende Woody Allen das acusações de abuso

Christopher Polk/Getty

Com a carreira do cineasta em ruínas, a sua mulher lamenta que Mia e Dylan Farrow tenham aproveitado a boleia do movimento #MeToo para o voltar a atacar

Luís M. Faria

Jornalista

Soon-Yi Previn, a atual mulher de Woody Allen, deu uma entrevista a defendê-lo das acusações de abuso sexual que a sua antiga namorada Mia Farrow e a sua filha Dylan lhe fazem. Previn, cuja relação com Allen desencadeou a crise familiar que teria o seu ponto mais dramático quando Farrow garantiu que Allen tinha abusado Dylan, então com sete anos, diz que ao fim de 26 anos resolveu finalmente falar porque acha que o que estão a fazer a Allen é injusto e "angustiante".

Na sequência da eclosão do movimento #MeToo, Dylan e o seu irmão Ronan ressuscitaram publicamente as acusações contra Allen, criticando a indústria cinematográfica por continuar a trabalhar com ele. Teve especial impacto público uma entrevista televisiva dada por Dylan, na qual ela chorou ao recordar o alegado abuso. Em resposta, vários atores e atrizes proeminentes disseram que nunca mais colaborarão com o cineasta.

Previn diz que, se havia abusos na família, eram cometidos pela sua mãe adotiva. Além de obrigar os filhos adotivos a fazer inúmeras tarefas desadequadas, Mia Farrow batia-lhes com frequência. "Nunca foi gentil comigo, nunca educada". Assim, quando Allen lhe começou a dar atenção, ela sentiu-se radiante. "Aqui estava uma oportunidade de alguém me mostrar afeto e ser simpático comigo. Claro que fiquei excitada ".

Na descrição que ela faz, foi Allen que a cortejou. "Ele é que me perseguiu. Foi por isso que a relação funcionou: eu senti-me valorizada. É muito lisonjeiro para mim. Ele geralmente é muito manso, e deu um grande salto". Curiosamente, ela sugere que o êxito da relação também teve a ver com os intensos ataques de que ambos foram alvo.

"Aproveitou-se do movimento #MeToo"

Oriunda da Coreia do Sul, Previn teve um início de vida na miséria. Foi adotada em criança por Farrow e pelo seu então marido, o maestro Andre Previn. Mais tarde, Farrow e Allen tornaram-se namorados, mas nunca viveram juntos. Allen atravessava o Central Park para ir até casa dela, e era visto pelas crianças como o namorado da mãe, não como pai.

Quando, um dia, Farrow descobriu fotos de Soon-Yi nua tiradas por Allen e compreendeu o que se estava a passar, ficou extremamente zangada. O escândalo depressa se tornou público. Foi nesse ambiente de tensão que, durante uma visita de Allen para estar com os filhos, surgiu a acusação de que teria abusado a sua filha mais nova. As autoridades investigaram durante meses e concluíram que não era verdade. Mas até hoje Dylan, Farrow e Ronan mantêm que a acusação e criticam o estatuto artístico de que o realizador goza.

Pela sua parte, Allen e Previn, com uma diferença etária de trinta anos, permanecem casados ao fim de duas décadas e meia, tendo filhos próprios. Outra das crianças adotadas por Mia Farrow, Moses, acha que a história do abuso de Dylan foi inventada. Recentemente, já tinha recordado coisas semelhantes às que Previn agora contou, falando de um clima de lavagem ao cérebro que existia em casa de Farrow.

Previn disse agora que a sua mãe adotiva "aproveitou-se do movimento #MeToo e exibiu Dylan em parada como uma vítima". Reagindo a estas declarações, Ronan Farrow deplorou que uma peça jornalística parcial tenha sido usada para "plantar histórias que atacam a minha mãe para desviar as atenções da alegação credível de abuso feita pela minha irmã".