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Salazar: os dias do fim

Oliveira Salazar no Forte de São João do Estoril, sobre o Atlântico, onde passava as férias de verão. Foi aqui que ocorreu a queda da cadeira que lhe provocou um hematoma no cérebro e obrigou a uma cirurgia de urgência

FOTO EDUARDO GAGEIRO

Cinquenta anos depois, muitos episódios da queda de Oliveira Salazar e da sua vida pessoal parecem ainda uma misteriosa ficção, dividindo e surpreendendo políticos, investigadores e a opinião pública

António Caeiro, José Pedro Castanheira e Natal Vaz

O homem que governou Portugal durante 36 anos consecutivos, António de Oliveira Salazar, foi exonerado e substituído por Marcello Caetano no dia 26 de setembro de 1968. Mas continuou a viver na residência oficial do primeiro-ministro até morrer, quase dois anos mais tarde, protagonizando uma farsa patética e cruel. Ninguém o informou de que já não era o chefe do Governo e ele também não perguntou. Salazar sabia ou não o que lhe tinha acontecido, a ele, ao Governo e ao país? “É um mistério extraordinário e ainda hoje insondável”, afirma o ensaísta Jaime Nogueira Pinto num dos mais de cem testemunhos, orais e escritos, citados no livro sobre a queda de Salazar que vai ser publicado no início de novembro.

Meio século depois, a forma como Salazar sobreviveu ao afastamento do poder parece ainda uma ficção, mais próxima do realismo mágico do que da ciência política. A sua exoneração teve, contudo, um efeito evidente: foi o princípio do fim da ditadura. “Portugal nunca mais voltou a ser a mesma coisa”, recorda Joaquim Letria, na altura repórter da agência Associated Press. António Simões, antigo extremo-esquerdo do Sport Lisboa e Benfica e da seleção portuguesa que conquistou o 3º lugar no Mundial de 1966, em Inglaterra, descreve assim o sentimento dominante: “O regime estava caduco. Com ou sem Marcello Caetano acabaria por cair”.

Para ler a entrevista na íntegra clique AQUI