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SMS, e-mails e telefonemas publicitários indesejados. Conheça os truques para os evitar

Busakorn Pongparnit

Às vezes chegam sem os desejarmos. Trazem promoções, novidades ou apenas informação banal. São várias as marcas e empresas que utilizam SMS e e-mails para enviar publicidade. Ao Expresso, o Portal da Queixa sublinha que com a entrada em vigor da nova Lei de Proteção de Dados o volume de reclamações por publicidade abusiva diminuiu nos primeiros meses, mas agora está novamente a aumentar. O motivo? “Perceberam que a regulamentação não tinha impacto”

Antes de começar a ler este artigo, desafiamos o leitor a olhar para as mais recentes mensagens ou e-mails que recebeu. Em seguida, conte quantos são realmente importantes e os que são publicidade. Provavelmente, há um com a nova coleção da loja onde comprou umas calças há um par de meses, outro com os descontos do hipermercado para o mês de outubro e até mais um outro com a promoção da ótica onde adquiriu os óculos. Quantos contou?

Independentemente da resposta a que acabou de chegar, quase toda a gente já recebeu mensagens publicitárias, muitas vezes até sem ter qualquer interesse no assunto. Mas se as marcas chegam aos contactos é porque em algum momento foram cedidos pelo consumidor – e é por isso que dá por si a apagar uma série de e-mails ou SMS que não quer recber.

O problema está, explica o Portal da Queixa, no facto de muitas vezes o consumidor nem se aperceber de que está a ceder informação às marcas e empresas. “Tornou-se tão natural fazê-lo que já é intuitivo”, justifica Pedro Lourenço, líder executivo desta rede social de comunicadores online. É preciso formar, educar e sensibilizar as pessoas para a cedência de dados pessoais, alerta.

Como conseguem as marcas os contactos?

Quase sempre são os consumidores que os dão. Seja num cartão de cliente de uma loja ou na subscrição de uma newsletter, certo é que marcas e empresas pedem para se preencher formulários e, quase sempre, ao aceitarem dar essa informação as pessoas estão também a autorizar que esses dados sejam partilhados com terceiros ou com bases de dados.

Busakorn Pongparnit/ Getty Images

Publicidade abusiva diminuiu com a atualização da Lei Proteção de Dados?

Em meados de maio deste ano, as marcas enviaram aos clientes SMS e e-mails em que alertavam para a necessidade de rever os Termos e Condições de Utilização. Isto foi imposto com a entrada do Regulamento Geral de Proteção de Dados, que, entre outros aspetos, passou a definir que a obrigatoriedade do consentimento para transmissão de dados a terceiros e a forma como estes são utilizados. As empresas que não cumprissem as normas poderiam ser multadas por más práticas na divulgação e tratamento de informação dos clientes.

Ora, numa primeira fase, isto traduziu-se numa redução significativa do número de mensagens publicitárias a chegarem aos telemóveis dos consumidores. No entanto, refere o Portal da Queixa, foi coisa que durou pouco.

A lei, que foi tão discutida este ano, acaba por ter um resultado volátil. Sem dúvida que durante o período de implementação houve um acalmar perfeitamente visível, com a maioria das empresas e marcas a retraírem-se no envio de informação. Depois, com o desenrolar dos meses recomeçou este envio não desejado”, diz Pedro Lourenço. “As marcas retraíram-se até que perceberam que isto não tinha impacto. Não me recordo de ter sido aplicada uma coima por má prática desde 25 de maio”, acrescenta, lembrando que nos últimos tempos voltaram a aumentar as queixas por publicidade abusiva.

Então como se pode fazer para dosear aquilo que nos enviam para o telemóvel? Para o CEO (chief executive officer) do Portal da Queixa, o segredo está no equilíbrio e na relação de confiança entre quem comprar e quem quer vender. “Como consumidor se me relacionar com a marca, não me importo de receber informação. Mas a marca tem de criar mecanismos e entender que há clientes que não a querem acompanhar”.

É possível parar totalmente de receber?

“Não sabemos se algum dia conseguiremos parar”, diz Pedro Lourenço. O CEO do Portal da Queixa explica que da mesma forma que são encontradas diariamente soluções para reduzir o spam de publicidade, também todos os dias as marcas e as empresas encontram novas formas para de melhorar “os sistemas para conseguirem entregar mais publicidade aos potenciais clientes”. No entanto, há forma de reduzir o incomodo causado. E por isso saltamos para o ponto seguinte.

Klaus Vedfelt/ Getty

E-mail alternativo, sensatez, educação, denúncia

Uma das primeiras sugestões apontadas pelo Portal da Queixa é a de criar um endereço de e-mail que seja usado em exclusivo para as marcas. Ou seja, sempre que lhe pedirem um e-mail, dá o mesmo. Assim, estas mensagens não vão para a conta pessoal e só consulta os e-mails publicitários quando o desejar na outra conta. “É muito fácil criar um e-mail específico só para a receção deste tipo de informação. O que não falta são servidores de e-mail gratuitos, que permitem ter mais do que uma conta. No entanto, com telefone é bem mais difícil porque não temos mais do que um número”, refere Pedro Lourenço.

Mas, para o CEO do Portal da Queixa, o melhor mesmo é optar pela sensatez na utilização dos dados. “Aquilo que fazemos na maioria dos dias já é tão intuitivo que o consumidor não se apercebe que está a passar informação”, diz. E para ter essa noção, defende, as pessoas precisam de ser sensibilizadas. “Não temos processos de aprendizagem na escola ou ações de formação que possam dar este tipo de condições aos consumidores para saberem exatamente o que estão a fazer. É preciso criar mecanismos de defesa quando estamos a fornecer dados”, acrescenta.

É ainda aconselhável que, com alguma regularidade, verifique se os seus dados não estão expostos nas redes sociais, em fóruns, em comentários ou noutras plataforma públicas. A partir daí, é possível copiar o contacto e colocar numa base de dados. “Sempre que reparamos que algo não está em conformidade é fundamental reportar. Se todos reportarmos estamos a contribuir para uma regulação deste setor. Se reportamos, são os próprios consumidores que criam a regulamentação.”

Depois, há sempre as “dicas que já todos sabemos que devemos cumprir para estarmos mais seguros”: informe-se sempre da fidedignidade de todos os serviços, aplicações e mensagens que lhe peçam informações pessoais, exclua e-mails suspeitos que contenham anexos, mantenha os computadores e telemóveis com as atualizações de sistema em dia, não use sempre as mesmas palavras-passe para diferentes contas e serviços. Por último, esteja informado.

Não há um serviço gratuito

“Para continuar precisamos de aceder aos seus dados”. Quantas vezes já recebeu esta mensagem para começar um qualquer jogo numa rede social? Não há serviços gratuitos. Quando não lhe pedem dinheiro, pedem informação - que é quase a mesma coisa - e são os dados pessoais que funcionam como meio de pagamento.

“Tem sempre uma condição de negócio que é a utilização dos dados pessoais”, sublinha Pedro Lourenço. “Em momento algum temos a necessidade de fornecer informação para tomar algum tipo de ação. A principal dica é a de nunca passar dados, sobretudo bancários, em troca de algo que à partida é considerado gratuito. Isso não existe. Nenhum modelo de negócio no mundo é gratuito”, acrescenta.

Daniel Sambraus / EyeEm/ Getty Images

E-mail, SMS ou telefone?

É ainda o SMS que mobiliza maior número de queixas por publicidade abusiva, refere Pedro Lourenço. “É mais fácil para o modelo de negócio”, diz e exemplifica: “com o SMS é possível retirar dinheiro dos telefones, através do saldo, de forma imediata e consentida. Muita vezes, ao clicar na ligação da mensagem, o consumidor já está a dar essa autorização e, por isso, continua a ser um fórmula muito explorada.

Já quanto ao e-mail, isso não é possível fazer-se. Portanto, é mais difícil burlar ou retirar dinheiro. “Não um modelo de negócio efetivo e imediato.” Por último, as chamadas telefónicas, um recurso usado sobretudo no marketing direto das operadores de telecomunicações ou pelos fornecedores de energia. Embora ainda sejam recorrentes, a tendência é para diminuirem. “Destinam-se a públicos de idade mais avançada e vai decrescer porque os millenials estão mais velhos e a tornar-se no público com poder de compra”, explica Pedro Lourenço.