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Professores: uma classe profissional a envelhecer, com salários relativos altos

Luí­s Barra

Apenas 1% dos professores têm menos de 30 anos. Em regra, ganham mais do que outros profissionais com habilitação superior em Portugal, indica a OCDE

A idade média dos professores tem vindo a subir na última década e esta classe profissional é agora uma das mais envelhecidas entre todos os países da OCDE, constata-se no relatório Education at a Glance, que acaba de ser divulgado.

De acordo com os números compilados no documento, entre 2005 e 2016 a percentagem de docentes com mais de 50 anos aumentou 16 pontos percentuais, enquanto no espaço da OCDE a subida foi de apenas três pontos percentuais. Representavam, ao todo, 38% de todos os que estavam a dar aulas no ensino básico e secundário. Por outro lado, apenas 1% tinha menos de 30 anos, contra uma média na OCDE de 11%.

Outro aspeto destacado nas notas sobre Portugal prende-se com os salários atribuídos a este grupo profissional e que, diz a OCDE, são mais altos do que os auferidos pela média dos trabalhadores que também têm qualificações superiores, ao contrário do que acontece na maioria dos países. No caso de um docente do 3.º ciclo, por exemplo, apenas o Luxemburgo apresenta uma diferença superior. O que não quer dizer que ganhem mais do que os professores noutros países.

Aumentos no topo da carreira e na direção

De acordo com as contas da OCDE, os professores ganham entre 35% e 47% mais do que outros profissionais qualificados, consoante o nível de ensino a que dão aulas. Essa diferença aumenta no caso dos diretores, que ganham, em média, quase o dobro comparando com outros trabalhadores licenciados.

As diferenças são mais acentuadas quando os professores chegam ao topo da carreira, já que nos escalões mais elevados ganha-se o “dobro” do que no início da carreira, seja no pré-escolar, no básico ou no secundário. Na OCDE a progressão é menos acentuada.

Quanto aos tempos de trabalho, a OCDE também afirma que os professores portugueses têm um “horário mais leve” no que respeita ao número de horas que tem de dedicar às aulas e que têm, comparativamente, “mais tempo” para atividades como “preparar aulas e corrigir trabalhos de casa”.