Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

 Moradores do Bairro do Aleixo vão ser todos realojados até à primavera. Torres sem data para vir abaixo

Os 270 residentes do degradado do Bairro do Aleixo vão ser realojadas em habitação municipal no prazo máximo de seis meses. Rui Moreira sustenta que não há mais condições de vida digna para as 89 famílias que ainda moram nas três torres que resistiram ao processo de demolição iniciado há sete anos

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

O presidente da Câmara do Porto anunciou, esta segunda-feira, que as 89 famílias que habitam no polémico Bairro do Aleixo vão ser realojadas em habitação municipal nos próximos três a seis meses, justificando a mudança urgente pelo facto de as 89 frações não terem mais condições de lá terem “uma vida digna”.

Apesar de as três torres resistentes ao anunciado processo de demolição não terem ainda data para vir abaixo, a implosão iniciada na era Rio, em 2001, é irreversível, não existindo recuperação possível para o degradado bairro social, construído nos anos 70 e mal-afamado pelo tráfico e consumo de droga.

A solução que a autarquia quer aplicar até ao início da primavera passa por realojar os residentes em habitação municipal que “vai vagando e alguma da pouca habitação que foi entregue pelo fundo imobiliário do Aleixo”, referiu o autarca, que afirtma dar prioridade à “dignidade das pessoas e das condições de habitabilidade dos que ali vivem”, o que acontecerá depois com o projeto e Fundo do Aleixo, constituído pelo anterior presidente da câmara, Rui Rio.

Rui Moreira garante que está em curso uma solução definitiva, que acredita será anunciada em breve, após negociações “bem encaminhadas” com os restantes acionistas do Fundo, a Mota-Engil e o antigo selecionador nacional, António Oliveira, além da Rio Forte, do universo GES, que detém uma pequena posição na estrutura acionista. O autarca confia que será acautelado um rumo que servia os interesses municipais - que chegou a deter mais de 30% do Fundo, quota entretanto reduzida “para os 20 e pouco por cento” - e que “trate com justiça” os restantes parceiros.

Num breve memorando do polémico processo da demolição e venda dos terrenos da autarquia a um fundo para construção de habitação de luxo, o presidente da Câmara do Porto recordou que o Fundo do Aleixo e o Bairro do Aleixo foram “seguramente um dos problemas de resolução mais complexa” que o executivo independente encontrou há cinco anos: “Não havia dinheiro e não havia casinhas”, lembrou Moreira, parafraseando a sua ex-vice presidente, Guilhermina Rego, que transitou da governação social-democrata, aludindo ao fundo legado sem capital, “à beira de ser compulsivamente extinto, e sem que tivessem sido construídas as casas acordadas como contrapartida, “o que obrigou o município a realojar boa parte dos inquilinos em habitação municipal, atrasando as listas de espera”.

Efetivos da PSP como em 1948

Para “salvar a herança”, Moreira optou no anterior mandato por encontrar um novo investidor, a Mota Engil, recapitalizando o fundo, após a realização de uma auditoria que minou a relação entre o atual e ex-autarca do Porto. Embora se tenha escusado a comentar as decisões de Rui Rio, Rui Moreira não deixou de referir a preferência por projetos como o do Bairro Rainha Leonor, também com vista para o Douro a chegar à cobiçada zona da Foz, que concilia habitação social e privada e sem necessidade de realojar moradores.

Para já, o autarca frisa que o problema da capacidade construtiva prometida ao Fundo do Aleixo, que violava as normas do PDM, já foi adequada à lei com os promotores, baixando a volumetria.

Resolvido ficou ainda o diferendo com a EDP num terreno próximo, o terreno do Ouro, “onde a Câmara estava prestes a ter de indemnizar em muitos milhões de euros o promotor, após lhe terem sido revogados direitos adquiridos”. Moreira diz que o conflito foi resolvido sem custos para a autarquia, mediante capacidade construtiva.

No Aleixo, “onde muitos moradores não são traficantes ou consumidores”, Rui Moreira alerta fica por resolver a questão da segurança e do tráfico, como noutras zonas da cidade. Um problema que diz não ser prioritário para o Governo, face aos escassos meios disponibilizados: “Uma cidade como o Porto não pode viver em 2018 com o mesmo número de efetivos da PSP com que vivia em 1948", avisa.