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Ainda falta mais de um milhão de euros para acudir a Pedrógão Grande

Quinze meses depois da tragédia de Pedrogão Grande há 156 casas recuperadas, ou em vias disso, com intervenção da Câmara Municipal. Mas a ferida das dúvidas sobre a recuperação das casas rasgou a solidariedade que acudiu aos prejuízos do grande fogo e lançou um anátema sobre a vila do Pinhal Interior

Pedrogão Grande parou para ouvir os esclarecimentos sobre as dúvidas que a reconstrução das casas destruídas no grande incendio de 2017 tem suscitado. Dentro e fora da Casa da Cultura foram muitos os que não esconderam o despeito, a raiva e a vergonha pela forma como o processo foi conduzido.

Mas os pedroguenses querem ver tudo esclarecido, pela justiça e que o processo siga com celeridade. Afinal ainda sobram prejuízos por reparar. Faltam mais 1,2 milhões de euros para reparar os barracões que suportavam a pequena pecuária e a agricultura familiar. Mas há vontade de esclarecer os portugueses.

Quinze meses depois da tragédia de Pedrogão Grande há 156 casas recuperadas, ou em vias disso, com intervenção da Câmara Municipal. Mas a ferida das dúvidas sobre a recuperação das casas rasgou a solidariedade que acudiu aos prejuízos do grande fogo e lançou um anátema sobre a vila do Pinhal Interior. “Temos 347 mil euros na conta solidária, mas ainda precisamos de quatro vezes mais para recuperar os anexos agrícolas e apoiar os pequenos produtores de gado. Com as polémicas é mais difícil angariar essa ajuda, mas será isso que vou fazer”.

O desabafo do presidente da Câmara, deixado na Assembleia Municipal Extraordinária desta tarde, antecedeu a demonstração sobre os gastos com o dinheiro angariado com a solidariedade dos portugueses. Mas não calou as críticas. “Desde abril que havia dúvidas. Não acredito que alguém tenha ficado com um cêntimo, mas é preciso esclarecer, estou envergonhado. Há processos de reconstrução instruídos com declarações dos vizinhos a garantir que forneciam a energia elétrica. Em casas de 1º habitação”, contou o deputado Luis Paulo.

Ivo Silva, que também consultou os processos relativos à reabilitação e que desde sexta-feira estão disponíveis, reconheceu que “há casas reconstruídas sem comprovativo de morada fiscal”. Rui Capitão pediu “celeridade à justiça, que é a quem cabe esclarecer se houve aproveitamentos ou não. Se a suspeição não for esclarecida poderemos ter problemas entre os pedroguenses, e somos tão poucos”. Também Nélia Neves reconheceu “o esforço louvável de todos no município e a enorme solidariedade que recebemos. Cabe-nos esclarecer estas dúvidas e reganhar a confiança que os portugueses depositaram em nós”.

“Não tenham dúvidas, os dinheiros angariados com a solidariedade dos portugueses foram empenhados na reconstrução. Pode haver algum problema na forma como foi usado, mas todo ele foi gasto na reabilitação do património urbano do concelho”, sintetizou o presidente da Assembleia Municipal. Tomás Correia sustentou que “todas as pessoas que ficaram sem casas, de primeira ou segunda habitação, foram vítimas. Se foram cometidas irregularidades somos os primeiros a querer que se apure tudo. Na justiça”, rematou Tomás Correia.

A ideia é partilhada pelo presidente da autarquia e que geriu o processo de reconstrução. “Estamos orgulhosos da forma rápida como reconstruimos as casas. Mas vamos continuar a esclarecer. A lei frisou sempre reconstrução de casas, só passados três meses é que ditou prioridades às casas de primeira habitação”, foi o que fizemos.

A comissão municipal que escrutinou o processo de reconstrução identificou “21 casas em que há dúvidas sobre a obtenção de ajudas para a reabilitação. Estes processos foram já remetidos ao Ministério Público e também serão analisados no âmbito do fundo Revita”. A garantia é do presidente da Câmara Municipal e foi dada no arranque da Assembleia Municipal. Valdemar Alves reconhece que “houve muita pressão para a conclusão dos processos que eram instruídos na Câmara Municipal, mas todas as casas que receberam ajudas arderam mesmo”. O autarca promete “continuar a lutar por ajudas para reconstruir tudo o que falta”, frisou. É nesta resposta que 80 casas de segunda habitação aguardam por financiamento para reabilitar.