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Ensino Superior. Metade das instituições do interior conseguem mais alunos

Ministro diz que medida de redução de vagas determinada para Lisboa e Porto “cumpriu claramente” os objetivos e que a diminuição de lugares nas duas cidades vai continuar. Quase 44 mil alunos já garantiram um lugar no ensino superior, menos 2% do que em igual fase do ano passado

Depois do Ministério do Ensino Superior ter determinado um corte de 5% nas vagas disponibilizadas nas instituições localizadas em Lisboa e no Porto, era preciso esperar pelos resultados da 1.ª fase do concurso nacional de acesso para perceber se a medida ia ter o efeito esperado e se as universidades e politécnicos do interior beneficiavam dessa redução.

Os resultados das colocações acabam de ser divulgados e revelam que houve um ganho de novos estudantes em 8 das 15 instituições situadas em regiões identificadas como tendo “menor procura e menor pressão demográfica”. Noutras sete, e apesar de terem tido a possibilidade de aumentar os lugares disponíveis (também até 5%), o número de caloiros diminuiu face ao ano passado.

Globalmente, os números disponibilizados pelo ensino superior indicam que nesta 1.ª fase do concurso houve um aumento de 0,7% dos colocados em regiões de menor densidade demográfica em relação a igual fase de 2017. E que houve um aumento de estudantes colocados em 1.ª opção em várias escolas do interior, valores que “indiciam uma maior perceção da alternativa de qualidade que estas instituições de ensino podem representar”, sublinha o Ministério em nota enviada à comunicação social.

“Os resultados mostram que a medida de redistribuição de vagas cumpriu claramente os objetivos. O aumento de colocados nas universidades de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Algarve, Évora ou nos politécnicos de Bragança, Tomar e Portalegre é prova disso. Por outro lado, não se verificaram os receios de concentração nas instituições de Aveiro e de Coimbra (que ficaram de fora da obrigação de cortar vagas). Esta estratégia de reequilíbrio interno para garantir o aumento da competitividade global deve continuar”, defende o ministro Manuel Heitor em declarações ao Expresso.

Entre as instituições que conseguiram mais alunos – num panorama nacional de redução de 3072 candidatos e de menos 922 colocados face a 2017 – o destaque vai para a UTAD, que atraiu mais 82 novos estudantes do que no ano anterior ou o Politécnico de Bragança, com uma subida de 63 caloiros. A Universidade do Minho recebeu mais 59 e a do Algarve mais 45.

Já os politécnicos de Leiria (menos 59 colocados), Guarda (menos 53) Viana do Castelo (menos 38), Beja (menos 25) ou Viseu (menos 23) mantêm a perda de estudantes.

Lisboa e Porto perdem, mas recebem 47% dos novos alunos

Para as escolas de Lisboa e do Porto, o concurso deste ano fica também marcado por uma redução de novos alunos, em virtude da determinação de reduzirem a sua oferta em 5%, muito criticada pelos responsáveis das instituições. Tiveram uma redução de 1,3% de novos estudantes face ao ano anterior, que se expressa, por exemplo, em menos 382 entradas por via do concurso nacional de acesso só na Universidade de Lisboa. Na do Porto foram menos 215. Ainda assim, nota a tutela, as duas cidades concentram 47% do total de estudantes colocados, enquanto as instituições de regiões de menor pressão demográfica abrangem 23% e as restantes 30%.

Para Manuel Heitor, o desafio para as grandes instituições de Lisboa e do Porto não passa por um aumento de estudantes de licenciaturas, mas por reforçarem a sua oferta de pós-graduações e por atraírem mais estudantes internacionais. “É isso que acontece nas universidades dos grandes centros urbanos da Europa e dos Estados Unidos”, lembra o ministro.

Mais alunos em cursos superiores profissionais

Além dos 43.992 estudantes que garantiram colocação na 1.ª fase do concurso – representam 89% dos candidatos (a maior taxa de sucesso desde 2014) – há milhares de outros que acabam por ingressar nas universidades e politécnicos por outras vias de acesso. E é por isso que, entre estudantes internacionais, alunos dos cursos técnicos superiores profissionais (TESPs) ou maiores de 23 anos, a estimativa do Ministério aponta para a entrada de um total de 73 mil novos alunos no ensino superior público.

No caso dos TESPs, formações de dois anos dadas nos institutos politécnicos, em articulação com as empresas e integrando um estágio profissional, o Ministério diz que deverão receber mais 7719 jovens, o que representa um aumento de 13%.

Estas formações são mais procuradas pelos alunos que completam o ensino secundário através dos cursos profissionais, mas também cada vez mais por estudantes dos cursos gerais.

Os resultados desta 1.ª fase podem ser consultados no site da Direção-Geral do Ensino Superior ou através da aplicação ES Acesso.

A 2.ª fase do concurso nacional de acesso, que conta para já com 7300 vagas, decorre entre 10 e 21 de setembro. Os dados provisórios indicam que já não há lugares nas escolas superiores de enfermagem de Lisboa, Porto e Coimbra e no ISCTE. Mas estes números poderão alterar-se já que nem todos os estudantes que garantiram a colocação acabam por se inscrever, libertando assim mais lugares.