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Incêndios. PSD acusa Governo de uso “vergonhoso e ultrajante” do Fundo da União Europeia

Rafael Marchante

Fernando Negrão acusou o Governo de criar “um injustificado clima de discriminação e injustiça entre as populações e fugindo à sua própria responsabilidade no financiamento dos serviços e estruturas do Estado à custa do apoio às populações discriminadas”

O líder parlamentar do PSD acusou esta quinta-feira o Governo de se preparar para fazer um uso "vergonhoso e ultrajante" do Fundo de Solidariedade da União Europeia, discriminando as populações de parte dos concelhos afetados pelos incêndios.

Fernando Negrão fez esta acusação na reunião de hoje da Comissão Permanente da Assembleia da República, reforçando as críticas que o PSD tem feito sobre esta matéria, desde logo, através do seu presidente, Rui Rio, que há dois dias considerou "imoral" a canalização destas verbas europeias.

Numa declaração política em que retomou também as acusações de "caos na saúde" e "caos nos transportes públicos", o líder parlamentar do PSD afirmou: "O que o Governo se prepara para fazer com o dinheiro do Fundo de Solidariedade da União Europeia é vergonhoso e ultrajante para todos e em especial para as vítimas dos incêndios e é revelador de uma forma de governar oportunista e matreira".

"O Governo não definiu como prioridades todas as populações afetadas pelos incêndios, o que fez foi afastar parte dessas populações, como, por exemplo, as dos concelhos de Mação, Figueiró dos Vinhos ou Castanheira de Pera, e substitui-las por apoios a entidades cuja despesa cabe ao Orçamento do Estado prover", apontou o social-democrata.

Segundo Fernando Negrão, desta forma, o Governo criou "um injustificado clima de discriminação e injustiça entre as populações e fugindo à sua própria responsabilidade no financiamento dos serviços e estruturas do Estado à custa do apoio às populações discriminadas".

"Termino exortando o senhor primeiro-ministro a não se esquecer que o Estado são os portugueses, e o Governo deve estar exclusivamente ao serviço dos portugueses. Os portugueses estão atentos, não perdoarão a progressiva destruição dos serviços públicos a que estão a assistir e a sofrer as respetivas consequências", acrescentou.