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Tejo. Ministro do Ambiente diz que “não vale a pena” pedir reunião urgente a Espanha

PATRICIA DE MELO MOREIRA/GETTY IMAGES

Em reação a um comunicado da ZERO, João Matos Fernandes negou que a qualidade da água tenha piorado, adiantando que o Governo está a acompanhar a situação no Tejo e, apesar de ainda não ter na sua posse os valores de hoje, adiantou que “os de ontem [terça-feira] já eram mais positivos do que nos dias anteriores”

O ministro do Ambiente afirmou esta quarta-feira que está em conversação diária com Espanha por causa da poluição no rio Tejo, pelo que não vê necessidade de reclamar uma reunião urgente ao Governo espanhol.

“Temos, de facto, um problema com a qualidade da água que já dissemos que é [um problema] e, por isso, não vale a pena reclamar nenhuma reunião. Nós temos estado em conversação contínua com os nossos colegas espanhóis, sendo que, de facto, a albufeira de Cedillo [Espanha], neste momento, está parcialmente eutrofizada e tem água com muito má qualidade e isso é, obviamente, uma preocupação para nós e que estamos a gerir em conjunto”, explicou João Matos Fernandes.

O ministro reagia assim a um comunicado da ZERO - Associação Sistema Terrestre Sustentável, no qual os ambientalistas pedem ao Governo para solicitar uma “reunião urgente” com Espanha para encontrar uma "solução para a situação crítica do rio Tejo", assinalando que a qualidade da água tem piorando nalgumas zonas.

O ministro do Ambiente negou que a qualidade da água tenha piorado, adiantando que o Governo está a acompanhar a situação no Tejo “não é dia a dia, é hora a hora” e, apesar de ainda não ter na sua posse os valores de hoje, adiantou que “os de ontem [terça-feira] já eram mais positivos do que nos dias anteriores”.

“O que temos feito no Tejo, contra a vontade da Associação Zero, está à vista de todos, tirámos todas as lamas da albufeira de Fratel e hoje a qualidade de água do Tejo não se compara com aquilo que, infelizmente, foi no passado recente”, acrescentou.

O ministro anunciou que “está tudo montado para uma ação de emergência, se ela for necessária, acreditando que agora, com o abaixamento da temperatura e iminência de chuva, ela não venha a ser necessária”.

“Temos conversado amiúde com os nossos colegas espanhóis no sentido de não haver só as bombagens comuns da barragem, porque a turbinagem é feita a partir de um descarregador fundo e no fundo de uma albufeira há muito menos oxigénio do que à superfície, mas para que possa haver algumas descargas superficiais”, solucionou.

No entender do governante, “num curto prazo, no imediato”, Espanha “tem de fazer descargas de superfície, porque essa água é de melhor qualidade e, a longo prazo, cuidar de um problema, que é um problema reconhecido por Espanha e pela União Europeia, que a cada ano tem multado Espanha por não cumprir as diretivas das águas residuais”.

Ou seja, o país vizinho tem de “proceder ao tratamento dos afluentes que vão para o Tejo”, especificou o ministro que defendeu que, Portugal, “é, de facto, um país com infraestruturas de afluentes muito mais robustas, pelo menos, do que esta zona de Espanha”.

O ministro falava aos jornalistas à margem de uma cerimónia a decorrer em Nelas, no distrito de Viseu, sobre obras realizadas em alternativa à não construção de uma barragem que beneficiaria os concelhos de Nelas e Mangualde, no distrito de Viseu, e Gouveia e Seia, no distrito da Guarda.