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Miguel Guimarães defende substituição da Administração do Hospital de Gaia: “Médicos esperam um sinal do Governo”

Bastonário da Ordem dos Médicos afirma que a situação no Centro Hospitalar de Gaia é insustentável e espera que o Ministério da saúde dê um sinal que algo vai mudar. Miguel Guimarães sublinha que Adalberto Campos Fernandes não pode continuar a dizer que não pode responder a tudo ao mesmo tempo nem à queima roupa

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, espera que o Ministério da Saúde olhe e resolva de uma vez por odos os principais problemas com que se depara o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e Espinho (CHVNG/E), sendo um sinal positivo se o Conselho de Administração fosse substituído, por estar fragilizado e “sem condições de liderar”.

“Os problemas arrastam-se há vários meses e o Conselho de administração não tem revelado, até agora, capacidade para reverter situações que colocam em causa as boas práticas médicas e que assegurem o tratamento e dignidade dos doentes”, sustenta Miguel Guimarães, após o anúncio da demissão do diretor clínico e dos 51 diretores e chefes de equipa da unidade de saúde.

Ao Expresso, o bastonário da Ordem dos Médicos lamenta o desinvestimento do Ministério da Saúde num hospital central que serve um dos mais populosos concelhos do pais e que “está a definhar e a rebentar pela costuras há demasiado tempo”. Os médicos que hoje apresentaram a sua demissão já tenham ameaçado não estarem disponíveis para manter funções de chefia em março último.

“Precisam acreditar que as coisas podem mudar, mas isto vai ser difícil com o atual diretor do hospital”, adianta o lóder da Ordem. Miguel Guimarães lembra que nenhum dos profissionais está a reclamar melhores salários, mas sim melhores condições de trabalho para poderem “fazer o que sabem fazer”, tratando dos doentes de forma mais adequada.

“São 52 profissionais conscientes, com cargos de direção, o que corresponde a cerca de 95% dos cargos de chefia no hospital, situação que não é habitual e que o poder político deve ter em conta”, ressalvou. Para Miguel Guimarães a decisão do corpo clínico que hoje apresentou carta de demissão à ARS-Norte “é grito de alerta” para os muitos problemas que se vive no hospital e que nem sequer são novidade.

Depois de visitar três vezes o CHVNG/E, Miguel Guimarães diz perceber que os profissionais estejam cansados de promessas por parte de quem tem responsabilidade política nesta matéria e que teimam em não se concretizarem. “As condições de trabalho estão cada vez mais depauperadas, o que dificulta as condições para que se assegurarem os mais adequados cuidados de saúde aos doentes”, salienta o responsável da Ordem, apontando serviços sem casas de banho nas respetivas instalações e falta de meios de diagnósticos, como angiográfos ou ecógrafos.

“O Ministro da Saúde não pode continuar a dizer que não pode resolver ao mesmo tempo e à queima roupa. É preciso que profissionais de saúde e pacientes sejam tratados com dignidade e respeito”, alerta Miguel Guimarães