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Tabuleiros de plástico dos raios X têm a maior concentração de vírus nos aeroportos

Artur Widak/Getty

Investigadores encontraram vírus em dez por cento das superficies testadas no aeroporto de Helsínquia. Desde terminais de pagamentos aos balcões de check-in

Conhece aquelas caixas cinzentas de plástico onde os seguranças dos aeroportos lhe pedem para colocar a bagagem de mão, computador, telemóvel e outros bens pessoais que têm de passar pelos detetores de materiais proibidos de entrar nas cabines dos aviões? Parece que esses pequenos contentores constituem uma séria ameaça à saúde dos passageiros e de quem os manuseia diariamente por imperativo profissional. É esta, pelo menos, a conclusão a que chegaram investigadores da Universidade de Nottingham e do Instituto Nacional Finlandês para a Saúde e o Bem Estar.

Especialistas em pandemias, os autores de um estudo realizado no Aeroporto de Helsínquia, citado pela ITV, detetaram que aquelas caixas são os objetos que retêm os mais elevados níveis de vírus. Também concluiram que dez por cento da totalidade das superfícies testadas revelaram estar, igualmente, contaminadas. Neste grupo incluem-se terminais de pagamento instalados nas lojas, os corrimões das escadas rolantes, os balcões do check-in e as áreas de recreio destinadas a crianças.

O estudo foi levado a cabo durante o Inverno de 2016 e os investigadores fizeram os testes durante as horas de maior afluência ao aeroporto da capital da Finlândia. Apesar da disseminação de vírus um pouco por toda as áreas públicas da infraestrutura, as caixas cinzentas que transportam bens pessoais através das máquinas de raios X foram, de longe, os casos mais graves a serem identificados.

Entre os vírus, predominaram aqueles que provocam gripes e problemas respiratórios, o que levou os autores a recomendarem a passageiros e funcionários aeroportuários um especial cuidado com a higiéne das mãos, bem como cautela para evitar a disseminação de vírus quando se espirra ou se tosse. O conselho é particularmente válido, diz o estudo, para quem se encontra em locais onde existe um elevado afluxo de pessoas em trânsito.

Para Jonathan Van Tam, a principal lição a retirar dos dados recolhidos pelo trabalho é clara. O professor de Proteção da Saúde da Universidade de Nottingham referiu que o estudo alerta sobre a forma como as infeções virais se espalham e que "algumas simples precauções" podem prevenir pandemias a partir de locais onde transitam pessoas de e para os mais diversos lugares do mundo.

Niina Ikonen, perita em virologia do Instituto Nacional Finlandês para a Saúde e o Bem Estar, sublinhou que a presença de vírus em aeroportos "não tinha sido investigada anteriormente". Os resultados, adiantou, de acordo com a ITV, "fornecem novas ideias para que se proceda a melhorias técnicas no desenho dos aeroportos e no respetivo mobiliário".