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Estado deverá injetar 455 milhões de euros na CP este ano para amortizar dívida

A falta de comboios está a condicionar a operação da CP

Foto António Pedro ferreira

O gestor assinalou que tais operações têm feito com que a estrutura da CP comece a ficar "gerível", mas admitiu que isso implica que não sejam acumulados prejuízos. A empresa vai apresentar ao Governo um plano para a contratação de 88 trabalhadores, entre os quais maquinistas, inspetores e revisores, anunciou.

O Estado deverá injetar 455 milhões de euros na CP - Comboios de Portugal este ano, para reduzir a dívida da companhia, que deverá baixar para os 2,1 mil milhões de euros, estimou esta terça-feira o presidente da empresa.

Já em 2019, o Estado deverá injetar 900 milhões de euros na CP "para honrar o plano de amortizações", estimou Carlos Nogueira."A dívida financeira da CP, em 31 de dezembro de 2016, era de 3.024 milhões de euros, mais de três mil milhões de euros, [mas] no final de 2017 essa dívida foi reduzida em cerca de 400 milhões de euros para 2,6 mil milhões de euros", disse o presidente da companhia ferroviária, que falava na comissão parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas no âmbito de um requerimento do PSD sobre a degradação do material e do serviço prestado.

O responsável observou que esse passivo "tem vindo a ser amortizado com o reforço do capital estatuário", isto é, do Estado.
"Este ano, entrarão na CP - e já entrou uma parte - 455 milhões de euros", assinalou Carlos Nogueira, estimando que a dívida seja reduzida para cerca de 2,1 mil milhões de euros no final de 2018. "E é dívida a quem? À DGTF [Direção-Geral do Tesouro e Finanças], ao BEI [Banco Europeu de Investimento], ao Eurofin [fundo financeiro] e aos obrigacionistas" pelos empréstimos concedidos, precisou.

O gestor assinalou que tais operações têm feito com que a estrutura da CP comece a ficar "gerível", mas admitiu que isso implica que não sejam acumulados prejuízos.

"Este dinheiro tem sido injetado pelo acionista, o Estado, a tempo e horas", notou. A CP registou 54,6 milhões de euros de prejuízo no primeiro semestre, que comparam com os 58,1 milhões de euros registados no período homólogo, segundo informação ao mercado. No período em causa, o resultado operacional foi negativo em 18,5 milhões de euros, valor que compara com os 18,8 milhões de euros negativos obtidos no mesmo semestre de 2017.

Por sua vez, o passivo fixou-se em 2,878 mil milhões de euros (contra 2,875 mil milhões de euros no final de dezembro de 2017). Na audição de hoje, Carlos Nogueira foi também questionado sobre possíveis cativações relativas à empresa. Sobre isso, respondeu que "quem cativa, também descativa", e salientou que "as descativações são atempadamente realizadas" pelo Governo.

Assim, isto "não afeta a CP", insistiu. Este mês, por exemplo, foram descativados perto de 19 milhões de euros, segundo o responsável, que falou em "procedimentos normais".

"Com todas as reclamações, com todos os problemas que temos, as cativações não têm sido um tema", adiantou. Para Carlos Nogueira, mais importantes são os problemas existentes, nomeadamente o da degradação das infraestruturas. Além disso, "temos problemas no estado da frota, mas também precisamos de rejuvenescer os efetivos", realçou.

Por isso, "ainda esta semana", a empresa vai apresentar ao Governo um plano para a contratação de 88 trabalhadores, entre os quais maquinistas, inspetores e revisores, anunciou. "Vamos ter um reforço do pessoal de tração, que é 99% do nosso pessoal", adiantou.

Carlos Nogueira aproveitou ainda a audição no parlamento para divulgar que a empresa já apresentou ao executivo um plano relativo às indemnizações compensatórias, dos quais a empresa já não dispõe desde 2014, e cujas necessidades anuais ascendem a 90 milhões de euros.
Sobre a liberalização do setor, que entrará em vigor em janeiro do próximo ano, admitiu que "os desafios são grandes", tendo já proposto ao Governo um contrato na "modalidade de ajuste direto".