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Um brinde ao verão

Com e sem álcool, mas sempre com a garantia 
de frescura e uma conjugação de sabores bem feita, 
os cocktails podem ser uma ótima forma de celebrar 
esta estação. Numa esplanada ou em casa

Junte 5 cl de vinho do Porto branco a 3 cl de polpa de manga (4 se for sumo de pacote) e a mais 3 cl de sumo de lima. Adicione 1/5 de uma colher de chá de curcuma (também conhecido como açafrão-da-terra) e uma colher de chá de açúcar. Misture tudo num recipiente com bastante gelo durante mais ou menos tempo consoante queira mais ou menos frio e diluído. Em seguida entorne a mistura para dentro de um copo previamente arrefecido, adicione pimenta preta a gosto por cima e, por fim, beba. E refresque-se, que o calor não combina com coisas quentes.

Simples, não é? Então fique a saber que aprendeu a fazer o cocktail Príncipe Real, um dos must have de verão no Hotel Memmo Príncipe Real. Fácil, muito fácil de se fazer, com ingredientes relativamente possíveis de ter em casa ou, não os tendo, fáceis de encontrar e que, usando as palavras de Maria Batista, chefe de bar do hotel, “é um ótimo cocktail porque consegue ter todos os sabores em equilíbrio com uma boa dose de cítrico a que se junta a dose certa de doce”.

Maria Batista, chefe de bar do Hotel Memmo Príncipe Real num mundo que ainda está muito associado aos homens, conta ao Expresso os segredos de um bom

Maria Batista, chefe de bar do Hotel Memmo Príncipe Real num mundo que ainda está muito associado aos homens, conta ao Expresso os segredos de um bom

Melhor bartender em 2014 e 2017, e nomeado para melhor bartender europeu em 2018 pela revista “Mixology”, Paulo Gomes é um dos sócios do bar Red Frog, na Rua do Salitre, em Lisboa. Para ele o que faz um bom cocktail é “o momento”. “A boa companhia, a ocasião e o estado de espírito são mais importantes do que os ingredientes.” Ainda assim, não deixou de partilhar uma receita de um sour que qualquer pessoa pode fazer em casa, basta medir 60 ml de Pisco, juntar 25 gramas de açúcar líquido e 25 ml de toranja. Tudo dentro de um shaker com bastante gelo. Agita-se vigorosamente durante 10 ou 15 segundos. Depois é só verter para um copo e beber.

Os cocktails feitos para o verão têm necessariamente, e à partida, de ser mais frescos. Para isso é importante “que se use a fruta da época, como o morango ou a melancia. Depois podem sempre acrescentar-se as sodas, ou a água com gás, as chamadas bebidas de bolha e que tornam tudo mais fresco. Um exemplo de um bom cocktail de verão, que toda a gente gosta, é o mojito. A menta, a água com gás e o rum branco, que é menos doce, fazem deste cocktail uma ótima opção para o tempo mais quente. No inverno também é bom, se for feito com rum envelhecido”, diz Maria.

AS MULHERES TAMBÉM SABEM SERVIR

Maria Batista começou a trabalhar pelo mesmo motivo que leva muitos jovens portugueses a arranjar o primeiro emprego: pagar a faculdade. Há os que trabalham em lojas ou em call centers, Maria começou a trabalhar em bares. Ganhou o gosto, “não pela parte do malabarismo”, que muitas vezes se vê fazer, mas porque aprendeu “a provar as coisas, a importância das combinações, as que ficam bem e as que não ficam, conhecer o potencial de várias frutas, das suas misturas... um bocado como na cozinha”. Hoje é chefe de bar de um hotel de cinco estrelas em Lisboa. Passaram nove anos.

“Foi uma boa evolução, talvez um bocado lenta, mas a área de bar é um bocado difícil. Já tinha estado como chefe de bar noutro sítio, depois entrei na hotelaria e é um mundo completamente à parte. É mais fácil subir na profissão num bar de rua do que num hotel, mas o nível de exigência não é tão grande, principalmente se comparamos com um cinco estrelas. Quando cheguei cá comecei como bartender de segunda, depois de primeira e agora chefe de bar.”

Há cada vez mais mulheres à frente de um bar, embora o universo masculino continue a dominar os bares portugueses e mundiais. Ainda assim, diz Maria, “é cada vez mais fácil ser mulher neste meio, embora ainda continue a ser mais fácil para os homens a nível de recetividade do cliente. Aquela ideia de que um homem tem mais conhecimento do que uma mulher ainda existe, apesar de estar a desaparecer, e isso é bom”.

Paulo teve um percurso diferente. Quis ser designer de carros, passou pelo basquetebol e foi DJ. Trabalhou em hotéis como mandarete, ou bagageiro, até que teve a oportunidade de trabalhar no bar de um deles. Ficou por lá 14 anos até abrir, em 2015, o Red Frog, que alcançou o 92º lugar na lista dos The World’s Best Bars, um feito único para um bar em Portugal.

COCKTAILS SEM FÓRMULA CERTA

Tudo o que seja uma mistura de bebidas é um cocktail, não importa o formato do copo, a cor da bebida final, se tem ou não aquele chapéu a enfeitar como se estivesse num resort das Caraíbas. A essência de um cocktail é a mistura bem feita e acertada, como foi dito anteriormente. E não precisa de muito para se sentir como o Tom Cruise naquele filme de 1988. Basta, talvez, não ter medo de ir experimentando e errando, até chegar à (sua) perfeição final.

Peguemos num exemplo prático e na preciosa ajuda de Maria, para percebermos que “não há certo nem errado, mistura-se como bem se entender. Eu posso gostar de um mojito mais cítrico, há pessoas que gostam dele mais doce, por isso não se pode dizer que há uma maneira certa ou errada de o preparar. Há medidas que se calhar tornam a bebida mais equilibrada dentro do que se queria, mas depois qualquer pessoa pode alterar como quiser”.

Muito fresco e uma ótima opção para os fins de tarde quentes de verão, o Detox Spritz é feito com 70 ml de sumo de pepino, 10 folhas de hortelã, sumo de limão (30 ml) e 15 ml de agave (ou xarope de açúcar feito em casa). Tudo preenchido com soda. Também sem álcool mas igualmente fresco, o Memmo Detox é feito com 40 ml de sumo de beterraba, 35 ml de polpa de ananás, 30 ml de sumo de limão, 15 ml de xarope de açúcar e preenchido no final com soda. Brindemos. À sua.