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Marques Mendes sobre os incêndios: toda a gente esteve bem exceto António Costa e a “festa” do seu Governo

Marques Mendes considera que o Governo fez "um exercício feio" ao falar em sucesso em relação ao fogo de Monchique e que António Costa voltou a mostrar falta de sensibilidade. O antigo líder do PSD disse também que este Orçamento do Estado será "eleitoralista" e defendeu a participação de Bruno de Carvalho nas eleições do Sporting

É “impossível” não comparar esta situação com a do ano passado mas “há uma diferença essencial e positiva: não houve vítimas mortais” em Monchique. Foi assim que Luís Marques Mendes começou o seu habitual comentário no Jornal da Noite da SIC, para logo de seguida dizer que toda a gente esteve bem menos António Costa e a “festa” do seu governo. “Não há necessidade nenhuma de fazer aquilo que o governo fez, embandeirar em arco, fazer uma festa, reclamar vitória, é um exercício feio.”

Referia-se o antigo líder do PSD às declarações do primeiro-ministro no posto da Proteção Civil de Carnaxide quando classificou o fogo de Monchique como “a exceção que confirma o sucesso” das medidas de combate aos fogos postas em marcha após as tragédias do ano passado. “Uma grande vitória? Quando Monchique foi o maior incêndio florestal de toda a Europa, ardeu descontroladamente durante dias e houve milhares e milhares de hectares consumidos pelo fogo? E o governo reclama vitória?”

É que, disse Marques Mendes, “a primeira obrigação de qualquer autoridade é precisamente salvar vidas, não foi feito o ano passado, mas é essa a regra”. Na sua opinião, o Governo “quis fazer política com o facto de não ter morrido alguém” e António Costa revelou-se “mais uma vez de uma grande insensibilidade nestas matérias”. Se no ano passado Marcelo Rebelo de Sousa veio dar um “safanão” ao Governo, este ano foi mais “uma chapada de luva branca” - de uma ou de outra forma, o Presidente mantém-se “a voz sensata”, na opinião do ex-líder social-democrata.

No entanto, parece haver pouco que afete o primeiro-ministro. Com a taxa de desemprego abaixo dos 7%, coisa que Marques Mendes classifica como “uma grande notícia”, “não se perdem eleições”. Para o comentador, “António Costa não brinca em serviço” e está “literalmente em campanha eleitoral”. Aliás, “este ano já não é para governação mas sim para campanha”. Marques Mendes analisa assim a entrevista do primeiro-ministro ao Expresso, publicada este sábado, dizendo que “respira propaganda e campanha por todo o lado”. O ponto mais importante da entrevista, considera Marques Mendes, é o Orçamento do Estado, que o social-democrata prevê que se venha a revelar um OE “eleitoralista”.

Sempre lembrando as polémicas com os vários sectores profissionais que podem justificar as apostas orçamentais de António Costa, Marques Mendes diz que “vai haver mais dinheiro para a cultura, mais dinheiro para a ciência, programa de incentivo fiscal para os jovens que emigraram no tempo da troika, investimento no interior e medidas de apoio à função pública”. Sobre as possíveis alianças pós-eleitorais, Marques Mendes diz que o primeiro-ministro deixou alguma coisa para toda a gente nesta entrevista, para que os “tanto os parceiros de governo como o PSD estejam tranquilos” e “possam viver na ilusão”.

Marques Mendes reconheceu ainda que a responsabilidade pelo estado da ferrovia é de vários governos e não apenas deste, mas lembra que o atual Governo tem um plano da CP para comprar comboios há três anos metido na gaveta e pede explicações sobre o porquê de essa compra não ter sido ainda concretizada.

E ficou ainda uma nota para o Sporting. Populismos há-os em todo o lado. Até na bola, de acordo com Marques Mendes. O ex-líder do PSD considera que Bruno Carvalho devia ser autorizado a concorrer às eleições no Sporting porque “os populistas ou são derrotados nas urnas ou não são derrotados de todo”. O medo é que, se Bruno de Carvalho não concorre, alguém possa vir depois dizer que ele é que teria resolvido os problemas, se ao menos o tivessem deixado concorrer.