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Presidente vai refletir sobre as 42 mil objeções ao furo ao largo de Aljezur

NICHOLAS KAMM / GETTY IMAGES

De visita às zonas afetadas pelos incêndios, em Monchique, no Algarve, o Presidente da República aproveitou para se reunir com as associações que condenam a realização de furos de prospeção de petróleo em Aljezur

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reuniu-se este sábado com o Movimento e a Plataforma Algarve Livre de Petróleo numa audiência em Almancil, Loulé, e disse que agora vai refletir sobre os argumentos que lhe foram apresentados. A audiência às duas estruturas que contestam a realização de um furo para prospeção de petróleo ao largo de Aljezur, na costa vicentina, durou duas horas e no final Marcelo Rebelo de Sousa disse aos jornalistas que ambos "confluem na mesma posição por vias e argumentações diferente".

"Recolhi muitos dados de toda a ordem e vou agora naturalmente confrontar com outros dados, ponderá-los e tomar em consideração na apreciação desta matéria", afirmou o Presidente da República, precisando que lhe foram apresentados argumentos "jurídicos, económicos, financeiros, ambientais, de curto, médio e longo prazo, e também políticos".

Questionado sobre se os argumentos apresentados eram "de peso", o chefe de Estado português respondeu que, "para demorar tanto tempo, era porque valia a pena ouvir os argumentos"."E vou agora analisar esses argumentos com atenção", acrescentou, escusando-se a avançar já com um posicionamento sobre a prospeção de petróleo ao largo de Aljezur.

O Presidente da República explicou ainda que a audiência de hoje "teve a originalidade" de ser realizar na Junta de Freguesia de Almancil.

"Não ocorreu em Belém ocorreu aqui, num dia muito cheio pelos motivos que conhecem", concluiu o chefe de Estado, referindo-se à visita que fez à zona do incêndio que atingiu os concelhos de Monchique, Silves e Portimão.

A prospeção e exploração de petróleo tem sido contestada pelo Movimento Algarve Livre de Petróleo (MALP) e pela Plataforma Algarve Livre de Petróleo (PALP), que coincidem na necessidade de impedir a sua realização, por ser contrária à tendência atual de luta contra as alterações climáticas, por ameaçar uma região que vive do turismo e tem um valor natural e cultural que deve ser preservado.

Rosália Cruz, da PALP, tomou a palavra pelas estruturas ouvidas na audiência e disse que o encontro serviu para "chamar a atenção para a preocupação com a democracia no país, quando há 42 mil objeções a este furo em (ao largo de) Aljezur, quando há pareceres a pedirem todos eles uma avaliação de impacto ambiental" que não foram tidas em conta e "quando todos os municípios do Algarve dão parecer negativo" e as suas posições não são tidas em conta pelo Governo.

A dirigente da PALP lembrou que a zona onde está previsto o furo é "sísmica, tem biodiversidade única" e "fica perto do Parque Natural da Costa Vicentina". "Se houver um derrame espalha-se e o Ambiente vem dizer que não é zona sensível", criticou, considerando que houve recetividade de Marcelo Rebelo de Sousa aos argumentos apresentados pelas duas estruturas.