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Proteção Civil não espera noite fácil com situação complexa em Silves

MIGUEL A. LOPES/LUSA

A meteorologia mantém-se bastante desfavorável, sobretudo devido ao vento. Chamas lavraram praticamente em toda a área entre São Marcos da Serra e Silves, segundo a Proteção Civil

As chamas atingiram esta quarta-feira à tarde uma grande velocidade no concelho de Silves, com uma progressão que terá sido superior a dois quilómetros/hora, e a Proteção Civil não espera uma noite fácil no combate ao incêndio na zona.

"Não nos espera um período fácil. A meteorologia, mais uma vez, sobretudo no que diz respeito ao vento, mantém-se bastante desfavorável, ou melhor, vai favorecer aquilo que é a progressão do incêndio", afirmou, num 'briefing' realizado em Monchique, no distrito de Faro, a 2.ª comandante operacional nacional da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), Patrícia Gaspar.

A zona entre Silves e São Bartolomeu de Messines, no mesmo concelho, é neste início de noite "muito complexa", tendo as chamas lavrado "praticamente em toda a área entre São Marcos da Serra e Silves, uma área bastante significativa".

Os principais problemas do combate durante o dia, apontou, foram a orografia, que dificultou o trabalho dos meios terrestres, e "o próprio comportamento do incêndio, que originou muito fumo", o que impediu uma atuação eficaz dos meios aéreos.

A Proteção Civil irá recorrer durante a noite à maquinaria pesada para abrir aceiros. Patrícia Gaspar indicou que a GNR tem tentado "andar o mais cedo possível à frente da progressão do incêndio", evacuando localidades, e repetiu o apelo para que as pessoas cumpram as indicações das autoridades de segurança e socorro.

A autoridade nacional não dispunha, às 20h00, de dados finais sobre o número de pessoas retiradas de suas casas durante a tarde. De manhã, a responsável indicou que havia 181 pessoas deslocadas.

Questionada sobre eventuais falhas nas operações, a 2.ª comandante operacional nacional afirmou que "não houve nenhuma falha" e que a meteorologia provocou "um comportamento absolutamente errático de muito difícil previsão".

Patrícia Gaspar recordou que a situação esteve "bastante estabilizada" depois da madrugada, durante a manhã de hoje, tendo sido feito um trabalho "de relevo" no terreno.
O incêndio deflagrou na sexta-feira em Monchique, lavrando também nos concelhos de Portimão e Silves.

Segundo um balanço feito hoje de manhã e que não foi alterado, há 32 feridos, um dos quais em estado grave (uma idosa internada em Lisboa), e 181 pessoas mantêm-se deslocadas, depois da evacuação de várias localidades.

De acordo com o Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais, as chamas já consumiram mais de 21.300 hectares. Em 2003, um grande incêndio destruiu cerca de 41 mil hectares nos concelhos de Monchique, Portimão, Aljezur e Lagos.

Na terça-feira, ao quinto dia de incêndio, as operações passaram a ter coordenação nacional, na dependência direta do comandante nacional da Proteção Civil, depois de terem estado sob a gestão do comando distrital.

Às 22h00 estavam mobilizados para o combate às chamas mais de 1.300 operacionais e quase 400 meios terrestres, segundo a página da Proteção Civil.