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Investigadores desenvolvem tecidos que iluminam e comunicam

Artur Debat/Getty

A investigação permite "expandir as capacidades fundamentais dos tecidos para abranger comunicações, iluminação, monitorização fisiológica e muito mais", segundo os investigadores do MIT que desenvolveram estes "tecidos tecnológicos"

Investigadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT na sigla original), nos Estados Unidos, desenvolveram um tecido que integra dispositivos eletrónicos que no futuro poderão comunicar, iluminar ou monitorizar a saúde.

O mais recente desenvolvimento em têxteis e fibras, uma espécie de "hardware" macio, é publicado esta quarta-feira na revista "Nature", num artigo do antigo aluno de pós-graduação do MIT Michael Rein e do professor de ciência dos materiais e engenharia elétrica Yoel Fink, que é também presidente da Advanced Functional Fabrics of America (Tecidos Funcionais Avançados da América, AFFOA), apoiados por equipas das duas instituições e ainda da Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, e do Laboratório Lincoln, nos Estados Unidos.

A equipa incorporou em fibras que foram posteriormente tecidas dispositivos semicondutores optoeletrónicos (referentes à luz) de alta velocidade, incluindo díodos emissores de luz (LED) e fotodetetores de díodo (semicondutores). Desse trabalho resultou um tecido lavável transformado num sistema de comunicação, o que marca a conquista do objetivo de criar tecidos "inteligentes" funcionalmente sofisticados.

De acordo com os investigadores a descoberta pode levar a um crescimento exponencial da capacidade e aplicações das fibras. "Esta abordagem adiciona uma nova visão sobre a forma de fabricar fibras", disse Rein, o principal autor do artigo. Os investigadores salientaram também a robustez do tecido e a sua impermeabilidade, lavando esse tecido 10 vezes para o testar e colocando-o num aquário. As fibras sobreviveram na água durante semanas.

Embora o princípio pareça simples, é complicado fazer com que funcione de forma consistente e garantir que as fibras podem ser fabricadas de forma confiável e em quantidade. A investigação permite "expandir as capacidades fundamentais dos tecidos para abranger comunicações, iluminação, monitorização fisiológica e muito mais. Nos próximos anos os tecidos fornecerão serviços de valor acrescentado e não serão escolhidos apenas por estética e conforto", disse Yoel Fink.

E acrescentou que os primeiros produtos comerciais incorporando a nova tecnologia chegarão ao mercado já no próximo ano, com aplicações inicialmente na área das comunicações e segurança. Segundo Fink, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos também está interessado.
Os tecidos, segundo os investigadores, podem por exemplo ter aplicações no campo biomédico, como em pulseiras que medem a pulsação ou o nível de oxigénio no sangue, ou uma ligadura que monitoriza o processo de cicatrização.