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Água Monchique estima prejuízos de 60 mil euros por dia

Pedro Nunes/Lusa

"Em termos financeiros, estamos a falar de uma perda na faturação à volta dos 60 mil euros por dia, o que para nós, sendo uma pequena empresa, é altamente nocivo", disse o presidente executivo da sociedade Água Monchique, Vítor Gonçalves

A empresa Água Monchique, uma das principais empregadoras do concelho, está a ter prejuízos de 60 mil euros por dia com os incêndios que lavram na zona por ter a produção parada, disse esta quarta-feira o presidente da companhia.

"Em termos financeiros, estamos a falar de uma perda na faturação à volta dos 60 mil euros por dia, o que para nós, sendo uma pequena empresa, é altamente nocivo para a nossa atividade", afirmou em declarações à agência Lusa o presidente executivo da sociedade Água Monchique, Vítor Gonçalves.

De acordo com o responsável, a produção está parada desde o fim de semana e, para já, "não há qualquer previsão da retoma", porque "o fogo teima em não se extinguir e, portanto, não há condições de segurança".

Ao todo, "são à volta de 10 mil paletes [de águas] encomendadas e às quais nós não temos hipótese de dar resposta", precisou Vítor Gonçalves, explicando que, como a Água Monchique não trabalha com 'stocks' e as encomendas estão paradas, são entre 200 a 300 os camiões "em lista de espera".

Sedeada em Caldas de Monchique, uma das freguesias afetadas pelo incêndio do concelho, a empresa é uma das maiores empregadoras da zona a seguir à Câmara Municipal, ao dar trabalho a 35 pessoas num município com cerca de 6.000 habitantes.
É também das companhias com maior peso económico.

Em 2017, a Água Monchique teve uma faturação de 10 milhões de euros e, "este ano, tínhamos a previsão de subir para os 13 milhões, mas infelizmente, com estas vicissitudes, desconfio que não seja possível chegar a este ponto", admitiu Vítor Gonçalves.

Com 90% dos clientes nacionais, o responsável notou que "as grandes insígnias foram altamente compreensivas e solidárias" com a empresa devido à paragem na produção. "Logo no primeiro dia foram enviadas comunicações aos nossos clientes para alertar para a impossibilidade de darmos resposta às encomendas", observou.

Vítor Gonçalves disse esperar que, "tendo em conta um pensamento positivo", a produção possa ser retomada na próxima semana. Ainda assim, e quanto a danos materiais, a Água Monchique só registou "coisas pouco significativas" como paletas e cabos queimados. "Algumas matérias-primas que também não estão em condições de depois serem usadas para a produção, dada a quantidade de fumo que absorveram", e, além disso, "também não temos telecomunicações na empresa e não sabemos até que ponto é que as linhas de média tensão da empresa estarão restabelecidas", elencou.

Vítor Gonçalves disse ainda esperar que "este inferno termine rapidamente para o bem de todos porque o concelho está a ser vitimado".
O incêndio rural deflagrou na sexta-feira à tarde em Monchique, no distrito de Faro, e lavra também nos concelhos vizinhos de Portimão e Silves. Segundo um balanço feito hoje de manhã, há 32 feridos, um dos quais em estado grave (uma idosa internada em Lisboa), e 181 pessoas mantêm-se deslocadas, depois da evacuação de várias localidades.

De acordo com o Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais, as chamas já consumiram mais de 21.300 hectares. Em 2003, um grande incêndio destruiu cerca de 41 mil hectares nos concelhos de Monchique, Portimão, Aljezur e Lagos.
Na terça-feira, ao quinto dia de incêndio, as operações passaram a ter coordenação nacional, na dependência direta do comandante nacional da Proteção Civil, depois de terem estado sob a gestão do comando distrital.