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Rios a transbordar, corais a desaparecer. Como vai ser quando a Terra se tornar numa estufa?

David Gray/Reuters

Os riscos são grandes e mesmo que se cumpram os níveis de emissão de dióxido de carbono definidos, é possível que isso não impeça a temperatura de aumentar entre quarto a cinco graus nos próximos anos. Os cientistas explicaram o que vai acontecer ao planeta se for utrapassado o ponto sem retorno

Rios a transbordar, tempestades a destruir zonas costeiras, os corais a desaparecer. Até ao final do século tudo isto pode acontecer – aliás, até antes. O alerta é dado num artigo publicado pela revista cientifica “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS). O planeta está a chegar a um ponto sem retorno e, nos próximos anos, as temperaturas podem aumentar entre quatro a cinco graus. A Terra pode tornar-se numa estufa. Pior: mesmo que se cumpram as várias metas definidas para a emissão de dióxido de carbono (que muitas vezes não são respeitadas), pode já não ser suficiente para alterar o rumo.

“Passar os limites levar-nos-á a uma temperatura global média mais elevada do que em qualquer período interglaciar [intervalo geológico com temperaturas médias mais quentes] dos últimos 1,2 milhões de anos e a uma subida do nível do oceano significativamente maior do que em qualquer momento do Holoceno [período que se iniciou após a era glacial e que se prolonga até aos dias de hoje]”, lê-se no artigo publicado esta segunda-feira. Se o ponto sem retorno for ultrapassado, o resultado “provavelmente vai causar graves problemas nos ecossistemas, na sociedade e nas economias”. “A ação humana coletiva é necessária para afastar os sistemas da Terra do potencial ponto sem retorno e estabilizar num estado interglaciar habitável.”

Mesmo com a redução da emissão de CO2, estima-se que a temperatura da terra continue a aumentar. Desde a década de 80 do século passado, a temperatura média da Terra aumentou cerca de um grau todos os anos devido à emissão de gases.

Thomas Lohnes/ Getty Images

“Estes elementos têm potencialmente um efeito dominó”, explica Johan Rockstrom, co-autor do estudo e diretor do Resilience Centre de Estocolmo, uma instituição governamental de sistemas socio-ecológicos. “Pode ser muito difícil impedir os dominós de caírem. Certos locais do planeta vão tornar-se inabitáveis se a ‘Estufa Terrestre’ for uma realidade”, acrescentou, citado pela Al-Jazeera.

O degelo, por exemplo, pode aumentar “drasticamente” os níveis dos oceanos, que tem como consequência inundações nas zonas costeiras e a destruição de milhões de casas.

O Acordo de Paris, assinado por quase 200 países, tem como objetivo manter o aumento da temperatura média global inferior aos dois graus anuais, aproximando-se de valores da época pré-industrial. No entanto os cientistas acreditam que mesmo assim o risco é significativo.

Aumentar a possibilidade de o planeta não se tornar numa estufa não passa apenas por reduzir as emissões de CO2, alerta o artigo. É necessário, por exemplo, melhorar a gestão das florestas, agriculturas e solos, bem como conservar a biosfera e apostar em tecnologia que remova o dióxido de carbono da atmosfera, armazenando em zonas subterrâneas apenas o que for preciso.