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Ordem dos Enfermeiros diz que algo vai mal no Hospital de Gaia quando há doentes em macas e camas vazias

João Paulo Carvalho afirma que permanecem internados nas urgências 15 doentes em macas, no Centro Hospital Gaia/Espinho. Líder da Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros vai pedir intervenção urgente da Ordem dos Médicos

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

A Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros (SRNOE) afirma ser “lamentável” que 15 pacientes continuem acomodados em macas no servido de internamento das urgências do Hospital Gaia/Espinho, após a situação já ter sido denunciada na passada semana. João Paulo Carvalho afirmou ao Expresso que vai pedir uma reunião e intervenção da Ordem dos Médicos para uma visita conjunta à Unidade 1 do referido Centro Hospitalar, sublinhando a necessidade de uma intervenção urgente nos internamentos da Unidade 1, onde o internamento em macas “é quase recorrente, mesmo existindo neste momento 35 camas vazias”.

Segundo João Paulo Carvalho, após uma reunião com a diretora de enfermagem do hospital, não foi possível “apurar as razões porque existem doentes internados nas urgências sem condições mínimas de dignidade e segurança clínicas exigíveis a uma instituição de primeira linha” no Serviço Nacional de Saúde. Na passada semana, o Conselho de Administração adiantou à SRNOE que a situação dos pacientes em macas, “que chegaram a ser 19”, seria provisória e estaria resolvida no final da semana.

João Paulo Carvalho adianta, contudo, que esta terça-feira, não apenas se mantêm doentes internados nas mesmas condições, como o seu número aumentou, de 10 para 15. “É preocupante e inexplicável que tal suceda quando a Unidade 1 do CHGE dispõe de 35 camas livres para internamento, mais do que suficientes para responder a este tipo necessidade".

Segundo enfermeiros do Centro Hospitalar contatados pela Ordem, a situação ficará a dever-se “a uma deficiente coordenação entre a equipa de gestão de camas e as equipas médicas”. A SRNOE adianta que, neste momento, o hospital não conta com o contributo da habitual equipa de gestão de camas - formado por um médico e uma enfermeira -, por se encontrarem de férias em simultâneo.

A falta de pessoal de enfermagem é outra das preocupações da Ordem, que avança que o Centro Hospitalar Gaia/Espinho “deve mais de sete mil horas aos profissionais das urgências”.

Em comunicado, o Conselho Diretivo Regional da SRNOE lamenta a recorrência deste tipo de situações, por considerar que coloca em causa a qualidade dos cuidados de saúde prestados à população e atenta contra os princípios de solidariedade subjacentes ao SNS. A Ordem já interpelou o Conselho de Administração do CHGE e a ARS Norte para que se encontre rapidamente uma saída para o impasse.

A Administração do Centro Hospitalar informa que, tal como em comunicado remetido anteriormente, estão em curso projetos de reorganização do Serviço de Urgência e de melhoria da gestão de camas, liderados pelo Sr. Diretor Clínico, que visam assegurar uma resposta pronta e de qualidade aos doentes.

“De facto, no Serviço de Urgência, alguns doentes, por vezes, permanecem mais tempo do que o desejável, o que, só por si, levou a que os procedimentos tivessem que ser alterados. Assim, estando praticamente concluída a fase de instalação, com o esforço e dedicação do Senhor Diretor Clínico, até final desta semana os constrangimentos em apreço vão ficar totalmente resolvidos”, referem, esta terça-feira, em comunicado, os responsáveis hospitalares.

“Apraz contudo referir que o Serviço de Urgência, fruto da onda de calor que assolou todo o país no passado fim de semana, recebeu um aumento considerável de doentes mas, mesmo assim, a resposta obedeceu aos padrões normais para a época, graças à excelente colaboração das equipas”, avança ainda a administração do Centro Hospitalar.