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Monchique. “Em 2003 também houve um grande incêndio, mas este é pior”

Lusa

Habitantes que são retirados de casa pelas autoridades para evitar serem apanhados pelo fogo são transportados para a escola EB 2/3, junto ao quartel dos bombeiros voluntários

As pessoas retiradas de casa por causa do incêndio em Monchique estão a ser levadas para uma escola e muitas lamentam como foram obrigadas a sair das suas habitações, deixando tudo para trás face à ameaça do fogo. Quem é deslocado de casa pelas autoridades para evitar ser apanhado pelo fogo é transportado para a escola EB 2/3 de Monchique, junto ao quartel dos bombeiros voluntários.

"Tiraram-nos de casa só com a roupa no corpo e até sem dinheiro para beber um café", disse à agência Lusa Carlos Almeida, que foi transportado para a escola com a mulher e a neta, depois de ser retirado da casa onde reside, a cerca de dois quilómetros a nordeste de Monchique, cerca das 16h00. Carlos Almeida disse ter já tentado regressar a casa para perceber como estão as suas posses, mas as autoridades "continuam a não deixar passar para voltar", porque "dizem que o fogo ainda lá está".

Com o final da tarde, o aproximar do fogo à vila de Monchique e a situação operacional a complicar-se, o número de pessoas que chegaram à escola aumentou. No grupo dos que foi chegando está António Joaquim da Silva, de 85 anos, que vive a cerca de um quilómetro da localidade algarvia, pertencente ao distrito de Faro.

"Em 2003 também houve um grande incêndio, mas este é pior", considerou este idoso, que foi abordado pela GNR quando já se preparava para deixar a sua casa por vontade própria a "perguntar se não precisavam de voltar para me tirar de lá". O idoso disse ter respondido que "não era preciso voltarem" para o apanhar e veio para a Monchique por vontade própria, perto das 17h00.

O presidente da Junta de Freguesia de Monchique está desde o início do incêndio a prestar apoio junto à sede do órgão autárquico, que se situa ao lado da escola, onde a sua mulher é diretora. "Eu também tenho filhos e mãe e trouxemos todos para aqui para evitar qualquer problema, porque o fogo estava na encosta atrás", disse José Duarte da Silva.

A situação operacional está "complexa" desde o final da tarde, reconheceu o segundo comandante distrital de operações de socorro de Faro, Abel Dias, numa curta declarações aos jornalistas, para dizer que não havia condições para o comando fazer um ponto de situação à imprensa que esteve previsto para as 21h30 de domingo, porque a prioridade era o combate e a retirada de pessoas de zonas afetadas.

Perto das 00h30 desta segunda-feira, uma projeção causou um foco de incêndio junto ao quartel dos bombeiros de Monchique e na escola para onde estão a ser levadas as pessoas desalojadas, mas que foi extinto pela pronta intervenção de uma equipa de Fuzileiros da Marinha portuguesa.