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Incêndio de Monchique continua ativo e o de Estremoz fez dois feridos graves

FILIPE FARINHA

Fogo na serra de Monchique continua a progredir e o terreno será alvo de reconhecimento ao longo da manhã deste domingo. A noite foi difícil também em Estremoz, onde um grupo de jovens foi apanhado pelss chamas, ficando seis pessoas feridas, duas das quais em estado grave

A noite de sábado para domigo foi trabalhosa, com o incêndio da Serra de Monchique a não dar descanso aos cerca de 700 homens que tentavam combater o fogo que já progride há quase três dias. Esta manhã, duas frentes de fogo continuavam ativas, como confirmou o Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Faro.

Para compreender a real extensão do incêndio, o comando da Proteção Civil iniciou a manhã com a tarefa de reconhecer o terreno, à luz do dia, para ver a área no seu todo. A Estrada Nacional 266 permanecia fechada à circulação na zona do fogo, mas a Estrada Municipal 501 foi reaberta pelas 4h30.

Numa zona sem acesso por via terrestre, onde a única possibilidade de combate passa pelo recurso aos meios aéreos, os aviões já voltaram a levantar voo nesta manhã de domingo para tentar combater o incêndio na serra. A pedido da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), a Força Aérea fez durante a noite um voo de reconhecimento e monitorização com o avião C-295 (aeronave com equipamento de captação de imagens, que permite a deteção rápida de incêndios) sobre as zonas de risco de incêndio, nomeadamente em Monchique, mas também em Santarém, Portalegre e Nisa. Dois operacionais da ANPC seguiram a bordo juntamente com os elementos da Força Aérea.

De acordo com a página da Autoridade Nacional de Proteção Civil na Internet, o fogo de Monchique mobiliza neste momento cerca de 800 operacionais, apoiados por 220 viaturas e 11 meios aéreos, dos quais três helicópteros ligeiros e médios e dois aviões Fireboss.

Entrando no seu terceiro dia, este é único grande fogo que continua ativo em todo o país, esta manhã. No entanto, a noite de sábado foi difícil em Estremoz. A ANPC recebeu um alerta de incêndio rural às 18h30. O aviso veio do Comando Distrital de Operações de Socorro de Évora, referindo um fogo no Monte da Chapada, freguesia de São Brás do Cortiço, concelho de Estremoz.

O fogo causou seis vítimas civis, os feridos mais graves, duas raparigas com cerca de 20 anos, foram transportadas no helicóptero do INEM para os hospitais de Santa Maria e São José, em Lisboa. Os outros quatro feridos foram levados em ambulâncias para o Hospital do Espírito Santo de Évora. Uma bombeira acabou por também ter de ser assitida devido à exaustão. O incêndio, que foi combatido por 86 operacionais, apoiados por 29 veículos, foi dado como dominado às 21h.

Os jovens foram apanhados pelas chamas quando tentavam fugir do local. O próprio comunicado da ANPC assume que o fogo "progrediu com grande violência face ao vento muito forte que se fazia sentir no local, uma zona de pasto, matos e olivais, com algumas habitações dispersas".

No comunicado, a Proteção Civil renova o aviso à população sobre "a rapidez e violência de propagação de incêndios que ocorrem com este tuipo de condições metereológicas, fazendo com que este tipo de ocorrência, que já de si constitui uma ameaça para a segurança de pessoas e bens, se desenvolva de modo extremo". Para concluir que as pessoas apanhadas pelas chamas só devem sair do local onde se encontram "em condições de absoluta segurança".

O reforço das mensagens preventivas tem sido a tónica do discurso da ANPC este verão. No sábado, a Proteção Civil enviou mais de sete milhões de SMS com alertas de risco de incêndio, em português e em inglês. Foram abrangidos os distritos de Évora, Setúbal, Lisboa, Santarém, Portalegre, Castelo Branco, Coimbra, Leiria, Viseu, Guarda e Bragança. Nas primeiras duas horas após o envio, entre as 8h e as 10h, 66% das mensagens chegaram corretamente ao destino.