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Chamas cercam Monchique e obrigam à evacuação de várias aldeias em redor

FILIPE FARINHA/Lusa

A frente de fogo do incêndio que teve início na sexta-feira no concelho de Monchique, no distrito de Faro, está já a cercar a vila. Moradores das zonas em redor foram forçados a abandonar as casas e dirigiram-se para a zona da escola, no centro da localidade. Proteção Civil admite a existência de casas ardidas nos arredores de Monchique, mas garante que população na vila está em segurança

"As pessoas foram concentradas no centro da vila de Monchique, numa zona segura", garantiu Duarte da Costa, comandante operacional nacional, num balanço feito na Autoridade Nacional de Protecção Civil já depois das 22h00 deste domingo. Também presente na conferência de imprensa, o ministro da administração interna, Eduardo Cabrita, afirmou que a prioridade é a "salvaguarda das vidas humanas", e garantiu ter total confiança na Proteção Civil e nos operacionais que estão no combate às chamas.

O fogo está a progredir na encosta sudeste da vila de Monchique, para onde várias colunas de meios terrestres de combate foram enviadas para tentar travar a progressão das chamas. As pessoas que habitam nos limites geográficos da vila foram instruídas para abandonarem as suas casas, por precaução, e dirigirem-se para o centro de Monchique, onde está localizada a escola e a piscina.

Uma projeção do incêndio atingiu uma zona de vegetação da vila, junto ao quartel dos bombeiros, constatou a agência Lusa no local. As equipas de socorro que estavam em descanso junto ao quartel atacaram prontamente o foco de incêndio com pás e depois com água.

Precisamente em frente ao local está a escola EB 2/3 de Monchique, que tem à sua volta pinheiros e alguma vegetação, localizando-se ainda nas proximidades o posto de comando da proteção civil. É no interior daquele estabelecimento de ensino que se encontram as pessoas que foram retiradas das suas casas desde o início do incêndio.

Na região existem várias casas dispersas e, com o fim do dia, os meios aéreos deixaram de poder operar, complicando ainda mais o combate ao fogo. Em Cabeço de Ferro, próximo de Monchique, há informações de algumas casas que foram consumidas pelas chamas. "Num conjunto de pequenas povoações ao longo do incêndio, pode ter havido casas isoladas que podem ter sofrido as ações das chamas", admitiu por sua vez na noite deste domingo o comandante operacional nacional da Autoridade Nacional de Proteção Civil.

A Proteção Civil garante ainda que cinco grupos de combate às chamas foram já enviados para o sul do país para reforçar o combate às chamas. O objetivo é o de "aproveitar o aumento da humidade e a ligeira descida da temperatura durante a noite".

A outra frente de incêndio, que se propagou ao concelho vizinho de Odemira, está a ceder aos meios de combate, disse à agência Lusa o comandante dos bombeiros locais, Luís Oliveira.

O incêndio que lavra há mais de dois dias no concelho de Monchique, era combatido, pelas 23h40 deste domingo, por 980 operacionais, apoiados por 292 veículos, segundo o site da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

Mais de uma centena de pessoas foram deslocadas este domingo das suas casas por causa deste incêndio. No total, a Proteção Civil retirou 110 pessoas, 79 em dez sítios e lugares no concelho de Monchique - Taipa, Foz Carvalhoso, Ladeira de Cima, Pedra da Negra, Foz do Lavajo, Corjas, Foz do Farelo, Ribeira Grande e Portela da Viúva) e 31 em cinco sítios no concelho de Odemira (Varja do Carvalho, Moitinhas, Barreirinhas, Vale das Hastes e Craveiras).

Trinta bombeiros tiveram, também, de receber assistência, com sintomas relacionados com o calor e com o fumo, informou ainda o comandante operacional.

Incêndio de Marvão pode ser dominado durante a noite

O outro incêndio a causar maior preocupação no país localiza-se em Marvão, no concelho de Portalegre. A Proteção Civil espera, no entanto, que seja possível dominar este incêndio a meio da noite.

Os responsáveis locais da Proteção Civil adiantaram por sua vez à agência Lusa que as operações de combate às chamas "estão a evoluir favoravelmente" e que "30 a 40 por cento" do perímetro do fogo estava dominado, cerca das 23h00. "Prevemos que, a meio da noite, o fogo esteja totalmente dominado", disse o 2.º comandante operacional distrital de Portalegre, Bruno Marques.

Depois de desmobilizados os meios aéreos, com o cair da noite, o combate às chamas envolviam, cerca das 23h00, um total de 223 operacionais, com o apoio de 72 veículos, incluindo grupos de reforço oriundos do Porto, Lisboa, Castelo Branco e da Força Especial de Bombeiros.Segundo Bruno Marques, não há habitações em perigo, nem se registaram danos pessoais, até às 23h00.

O alerta para o incêndio foi dado às 15h29 e, durante a tarde, o dispositivo foi reforçado, chegando a mobilizar oito meios aéreos, incluindo um espanhol. O trabalho dos bombeiros tem sido dificultado pelo "declive bastante acentuado" do terreno, onde arde mato e pinhal, entre a localidade de Portagem e a vila histórica de Marvão. A Estrada Nacional (EN) 359, entre Portagem e Marvão, está cortada ao trânsito.