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O texto que se segue pode não ser lido depressa, mas fala de coisas que se passam rápido. O jornalista Rui Pedro Reis pegou no BMW M5 para descobrir aquele que é provavelmente o melhor M de sempre

Rui Pedro Reis

Os M da BMW podem ser mais ou menos rápidos, mas costumam ser generosos em emoção. Um bom exemplo disso é o M2. No cronómetro é uma deceção, mas é extremamente divertido de conduzir, ao ponto de fazer esquecer qualquer medição de espírito competitivo. Até que apareceu o novo M5. Agora tudo muda. Porque quanto mais se conduz o novo M5 mais se gosta dele e mais rápido se torna.

Os números

O motor é um V8 4.4 com 600 cv e uns impressionantes 750 nm de binário, a que se junta uma nova caixa automática de dupla embraiagem com oito velocidades. Para ir dos 0 aos 100km/h bastam 3,4 segundos, o que coloca o M5 no segmento dos supercarros. A maior novidade é que, pela primeira vez, o M5 tem tração integral. O recurso de engenharia não lhe retira dinâmica ou emoção. Pelo contrário, acrescenta performance e torna este carro num surpreendente desafio para quem o conduz.

A experiência

Antes de ligar o motor e sentir o ronco do motor bem presente no interior, é melhor tirar um tempo para conhecer a máquina e os vários modos de condução. Desde logo porque está disponível um modo 4WD e 4WD Sport, além de um modo 2WD que coloca os 600cv no eixo traseiro e que, por isso, só é recomendado para utilização em pista. Nos modos de condução, há o Comfort que disfarça o M5 de familiar utilizável no dia-a-dia sem passageiros aos gritos. Depois há o resto, o Sport e o Sport+, que revelam progressivamente o que o M5 tem para dar, com afinação possível do motor, da direção e da suspensão. Além disso, a caixa de velocidades, que tem modo automático e sequencial, tem em cada modo três mapeamentos diferentes. Tudo isto junto, torna o M5 camaleónico. De um carro confortável ainda que divertido de conduzir, até se tornar uma máquina de alta performance e difícil de descrever num texto. Ao ponto de nos esquecer-mos do tamanho e do peso do automóvel. A posição de condução também é excelente e ajuda à experiência sensorial. O interior tem bom gosto nos materiais e consegue até ser relativamente sóbrio para um desportivo. De-pois há os detalhes, e a maioria estão lá por uma razão. Desde o trabalho de apoio aerodinâmico, à canalização de ar para arrefecer os travões, até ao tejadilho em carbono que ajuda a baixar o centro de gravidade. É este complexo conjunto que torna o M5 exemplar em curva. As travagens fortes acontecem bem tarde e sem qualquer sinal de cansaço dos travões carbocerâmicos.

Coisas que pouco interessam

No meio desta experiência sensorial, há alguns fatores a ter em conta. Só num circuito é que se consegue extrair toda a potência de um automóvel como este. Em estrada, é preciso tomar calmantes para conseguir circular dentro dos limites previstos pela lei. E, além disto tudo, acabamos a pensar que a ficha técnica do carro tem um erro e que o M5 não pesa 1 982 kg.

Além disso, há os números que um comprador de um automóvel destes não vai ter em conta. Os consumos nunca baixaram dos 12 litros e com uma condução um pouco mais desportiva chegaram aos 15 litros. Em pista, a coisa deve chegar a marcas bem mais respeitosas. E finalmente, há o preço. É que o M5 custa €150 000 e o modelo ensaiado tinha mais de €34 000 de opcionais, daqueles que vêm mesmo a calhar num automóvel destes. Os números tornam um M5 num carro exclusivo, mas quando se com-para com carros de performance idêntica até nisso este BMW é competitivo. A marca de Munique está de parabéns. Criou um concorrente à altura do Mercedes-AMG E 63 S. Coisa que não é nada fácil. Só uma nota final. No momento em que vos escrevo este ensaio, já voltei ao mundo real. Tudo o que é bom… anda e acaba depressa.

Ficha técnica BMW M5

Motor
4 395cc
600cv
750nm às 1 800 r.p.m. - 5 600 r.p.m.

Transmissão
Integral
Caixa Automática 8 velocidades

Prestações
250 km/h vel. máxima
3,4s 0-100km/h

Consumos
10,5L/100km ciclo misto
241g CO2/km

Preço €185.000